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Estrela verde recém-identificada deixa astrônomos maravilhados

Estrela verde recém-identificada deixa astrônomos maravilhados

Reuters

16/10/2026

Placeholder - loading - Imagem artística da estrela anã branca WDJ1330+6435 14 de outubro de 2026 Mark A. Garlick/Universidade de Warwick/Divulgação via REUTERS
Imagem artística da estrela anã branca WDJ1330+6435 14 de outubro de 2026 Mark A. Garlick/Universidade de Warwick/Divulgação via REUTERS

Por Will Dunham

WASHINGTON, 16 Out (Reuters) - Pela primeira vez, astrônomos ​identificaram uma estrela verde, registrando um denso remanescente estelar chamado anã branca que adquiriu um tom fantasmagórico de verde-amarelado após absorver detritos rochosos de planetas que outrora haviam orbitado em torno dela.

A cor de uma estrela é normalmente determinada por sua temperatura: as estrelas mais frias apresentam uma cor alaranjada, o Sol e estrelas semelhantes a ele aparecem brancas, e as mais quentes apresentam um tom azul claro.

Mas a regra é diferente para uma anã branca, que é o núcleo remanescente de uma estrela de massa baixa a média que esgotou seu combustível nuclear e expeliu suas camadas externas. A maioria das anãs brancas tem cores semelhantes ⁠às de ⁠outras estrelas, e sua cor média é o ​branco. Mas ‌mudanças em sua composição química ao longo do tempo podem transformar algumas delas em cores mais raras.

A anã branca verde recém-identificada, chamada WD J1330+6435, é uma anã branca na Via Láctea localizada a cerca de 280 anos-luz da Terra, na constelação de Draco. Um ano-luz é a ⁠distância que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilhões de km.

“Começamos ​a nos interessar por essa anã branca porque fragmentos de material planetário caíram em sua superfície, enriquecendo ​suas camadas externas com elementos como cálcio, lítio e, ‌em particular, sódio”, disse o ​astrofísico Mark ⁠Hollands, da Universidade de Warwick, na Inglaterra, principal autor do estudo publicado na revista RAS Techniques and Instruments.

Em estrelas normais, o sódio absorve um comprimento de onda muito específico de cor laranja — o mesmo tom de laranja ​que dá às lâmpadas de sódio de rua sua cor característica.

“Nessa anã branca em particular, no entanto, a densidade é tão alta que os átomos de sódio são constantemente bombardeados por átomos de hélio ao redor, o que altera os níveis de energia atômica do sódio”, disse Hollands.

“O resultado final é que ​os átomos de sódio não absorvem mais um comprimento de onda muito estreito de laranja — eles absorvem os comprimentos de onda amarelos, laranjas e alguns dos vermelhos. E o que resta é uma estrela que possui um belo brilho verde-amarelado, algo que não seria possível para estrelas semelhantes ao Sol”, disse Hollands.

A descoberta fez parte de um projeto que avaliava a cor das anãs brancas tal como os olhos humanos as veriam. Uma anã branca normalmente tem metade da massa do Sol compactada no tamanho da Terra.

“Como as ​anãs brancas são estrelas superdensas — têm aproximadamente o tamanho da Terra, mas contêm cerca de 165 mil vezes a ‌sua massa —, mesmo uma pequena quantidade de ⁠sódio bloqueia grande parte da luz laranja que emana da estrela”, disse Boris Gänsicke, astrofísico da Universidade de Warwick e coautor do estudo.

“No fim das contas, tudo isso é muito semelhante à mistura de ⁠cores na paleta de um pintor. Eles começam com algumas cores ⁠básicas e, em seguida, as misturam para formar ⁠qualquer cor necessária para ⁠sua ​pintura. Retire parte da cor que entra na mistura e o resultado final mudará”, disse Gänsicke.

(Reportagem de Will Dunham)

Reuters

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