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EUA capturam Maduro e Trump diz que EUA vão administrar Venezuela

EUA capturam Maduro e Trump diz que EUA vão administrar Venezuela

Reuters

03/01/2026

Placeholder - loading - Unidade antiaérea destruída na base aérea militar de La Carlota em Caracas  3/1/2025       REUTERS/Leonardo Fernandez
Unidade antiaérea destruída na base aérea militar de La Carlota em Caracas 3/1/2025 REUTERS/Leonardo Fernandez

WASHINGTON, 3 Jan (Reuters) - Os Estados Unidos atacaram a Venezuela e capturaram seu presidente ⁠de longa data, Nicolás Maduro, em uma operação neste sábado, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, prometendo colocar o país sob controle norte-americano por enquanto, inclusive com o envio de forças, se necessário.

'Vamos administrar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa', afirmou Trump durante uma entrevista coletiva em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida. 'Não podemos correr o risco de que outra pessoa assuma o controle da Venezuela que não tenha em mente os interesses dos venezuelanos.'

Não está claro como Trump planeja supervisionar a Venezuela. Apesar de uma operação dramática durante a noite que derrubou a eletricidade em parte de Caracas e capturou Maduro em um de seus esconderijos ou próximo a ele, as forças dos EUA não têm controle sobre o país em si, e o governo de Maduro parece ainda estar no comando.

Os comentários de Trump sobre uma presença ilimitada na Venezuela ecoaram as ​mudanças de liderança no Iraque e no Afeganistão que terminaram com a retirada dos ⁠EUA após ⁠anos de ocupação. Ele disse que estava aberto à ideia de enviar forças dos EUA para a Venezuela.

'Não temos medo de botas no chão', disse ele.

Trump não deu respostas específicas às repetidas perguntas dos repórteres sobre como os EUA governariam a Venezuela.

Uma ocupação norte-americana 'não nos custará um centavo' porque os Estados Unidos seriam reembolsados pelo 'dinheiro que sai do solo', afirmou Trump, referindo-se às reservas de petróleo da Venezuela, assunto ao qual ele voltou várias vezes durante a coletiva de sábado.

Trump disse que o secretário de Estado ‌dos EUA, Marco Rubio, havia entrado em contato com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez.

Mais tarde, ela se pronunciou afirmando que Maduro é o ​único presidente da Venezuela, e pediu calma e união para defender o país em ‌meio ao 'sequestro' de Maduro e disse ​que a ​Venezuela nunca será colônia de nenhuma nação.

POSSÍVEL VÁCUO DE PODER

A remoção de Maduro, que liderou a Venezuela com mão de ferro por mais de 12 anos, potencialmente abre um vácuo de poder no país sul-americano.

Qualquer desestabilização séria na nação de 28 milhões de pessoas ameaça entregar a Trump o tipo de ​atoleiro que marcou a política externa dos EUA durante grande parte do século 21, como as intervenções no Afeganistão e no Iraque.

Os EUA não fazem uma intervenção tão direta na América Latina desde a invasão do Panamá, há 37 anos, para depor o líder militar Manuel Noriega, sob alegação de que ele liderava uma operação de tráfico de drogas. Os Estados Unidos fazem acusações semelhantes contra Maduro, acusando-o de administrar um 'narcoestado' e de fraudar a eleição de 2024.

Maduro, um ex-motorista de ônibus de 63 anos, escolhido a dedo por Hugo Chávez para sucedê-lo em 2013, negou essas alegações e disse que Washington tinha a intenção de assumir o controle das reservas de petróleo de seu país, as maiores do mundo.

As ruas da Venezuela pareciam calmas quando o Sol nasceu. Soldados patrulhavam algumas partes e pequenas reuniões de pessoas pró-Maduro começaram a aparecer em Caracas.

Outros, no entanto, expressaram alívio.

'Estou feliz, duvidei por um momento que isso estivesse acontecendo porque é como um filme', disse a comerciante Carolina Pimentel, de 37 anos, na cidade de Maracay. 'Está tudo calmo agora, mas sinto que a qualquer momento todos estarão comemorando.'

Autoridades venezuelanas condenaram a intervenção de sábado. 'Na unidade do povo, encontraremos a força ⁠para resistir e triunfar', afirmou o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, em uma mensagem de vídeo.

Embora vários governos latino-americanos se oponham a Maduro e digam que ‌ele fraudou a votação de 2024, a ação direta dos ⁠EUA reaviva memórias dolorosas de intervenções passadas e, em geral, tem forte oposição dos governos e das populações da região.

A ação de Trump relembra a Doutrina Monroe, estabelecida em 1823 pelo presidente James Monroe, que estabelece a reivindicação de influência dos EUA na região.

Aliados da Venezuela, Rússia, Cuba ‍e Irã condenaram rapidamente os ataques como uma violação da soberania. Teerã pediu ao Conselho de Segurança da ONU que interrompa a 'agressão ilegal'.

Entre as principais nações latino-americanas, o presidente da Argentina, Javier Milei, ​elogiou ‌a nova 'liberdade' da Venezuela, enquanto o México condenou a intervenção e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ela ultrapassou 'uma linha inaceitável'.

(Reportagem da Reuters)

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