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Ex-generais israelenses condenam violência de colonos e ajudam agricultores palestinos

Ex-generais israelenses condenam violência de colonos e ajudam agricultores palestinos

Reuters

03/11/2026

Placeholder - loading - Ativistas israelenses e palestinos se preparam para uma refeição durante a época da colheita da azeitona em olivais de propriedade palestina na vila de Qusra, perto de Nablus, na Cisjordânia ocupada p
Ativistas israelenses e palestinos se preparam para uma refeição durante a época da colheita da azeitona em olivais de propriedade palestina na vila de Qusra, perto de Nablus, na Cisjordânia ocupada p

Por Pesha Magid

QUSRA, Cisjordânia, 3 Nov (Reuters) - Um grupo de ​ex-oficiais israelenses de alto escalão ajudou agricultores palestinos nesta terça-feira a colher azeitonas, em um gesto de solidariedade em meio a uma onda de violência por parte de colonos militantes contra palestinos na Cisjordânia ocupada.

“Quando vejo o que está acontecendo aqui, quando vejo esses caras chegando... e agredindo mulheres e crianças, isso me lembra as histórias que meus pais contavam da época em que o povo judeu sofria”, disse o ex-major-general Eyal Ben-Reuven, que comparou os ataques de colonos militantes a pogroms.

Ben-Reuven disse que começou a organizar um grupo de cerca de 30 militares de alto escalão — incluindo seis generais — há vários meses, após um ⁠aumento na violência ⁠dos colonos que, segundo muitos palestinos, é ​facilitada pelas ‌forças israelenses.

As Forças Armadas de Israel afirmaram que condenam a violência e atuam para manter a segurança na Cisjordânia.

“A ocupação é o principal problema da sociedade israelense. Acredito que devemos lidar com isso, não podemos ignorá-lo. Devemos tentar resolvê-lo junto com os palestinos”, disse o ex-coronel Doron ⁠Meinert.

Ben-Reuven e outros disseram estar preocupados também com o impacto da violência dos colonos ​na reputação global de Israel.

“Estrategicamente e taticamente, isso está criando problemas para o Estado de Israel ​no Ocidente e nos Estados Unidos”, disse Jonatan Yoni, ex-brigadeiro-general, ‌que afirmou também estar ​motivado pela ⁠situação dos agricultores palestinos e pela oposição à anexação da Cisjordânia por Israel.

'EXÉRCITO ESTÁ PROTEGENDO OS COLONOS'

Nimr Nazzal, proprietário de terras próximas à vila de Qusra, onde os ex-militares estavam ajudando, disse que, sem eles, seria impossível ​para ele ter acesso às suas oliveiras devido aos ataques dos colonos.

Ele acrescentou que muitos dos ataques dos colonos contavam com o apoio dos militares israelenses. “O Exército está protegendo os colonos”, disse Nazzal.

O grupo israelense de direitos humanos Yesh Din registrou 180 ataques físicos contra colhedores de azeitonas palestinos nos 35 ​dias desde o início da safra. As forças israelenses estavam presentes em mais de 23% dos casos de violência por parte dos colonos registrados pela organização, informou o Yesh Din.

Os palestinos afirmam que, quando ligam para as forças israelenses, estas ou respondem tarde ou vão em auxílio dos colonos que cometem a violência. As Forças Armadas negam isso.

Meinert, que agora dedica grande parte de seu tempo ao voluntariado na Cisjordânia em apoio aos palestinos, também afirmou que o Exército israelense auxiliou os colonos.

Alguns soldados israelenses, acrescentou Meinert, ​compartilham da crença dos colonos militantes de que apenas os judeus “têm direito a esta área e que os árabes ‌devem ser expulsos ou permanecer aqui como ⁠residentes de segunda classe”.

As Forças Armadas israelenses já afirmaram no passado que são o Exército do povo e refletem todo o espectro de opiniões da sociedade israelense.

A Cisjordânia abriga cerca de 500 mil ⁠colonos e pelo menos 3 milhões de palestinos. Órgãos da ONU ⁠e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais ⁠sob o direito internacional ⁠relativo ​a ocupações militares.

Israel rejeita essa posição, considerando o território como disputado, e não como ocupado.

(Reportagem de Pesha Magid)

Reuters

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