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EXCLUSIVO-Governo Trump está elaborando uma proibição de dispositivos chineses para data centers, dizem fontes

EXCLUSIVO-Governo Trump está elaborando uma proibição de dispositivos chineses para data centers, dizem fontes

Reuters

04/08/2026

Placeholder - loading - Vista aérea de data center em Oakland, no Estado da Califórnia, nos EUA 18 de julho de 2026 REUTERS/Fred Greaves
Vista aérea de data center em Oakland, no Estado da Califórnia, nos EUA 18 de julho de 2026 REUTERS/Fred Greaves

Por Alexandra Alper

WASHINGTON, 4 Ago (Reuters) - O governo do presidente dos ​Estados Unidos, Donald Trump, está elaborando uma proibição às importações para os EUA de novos modelos de componentes chineses para data centers, segundo informaram à Reuters quatro pessoas a par do assunto, em uma iniciativa que visa proteger a infraestrutura que sustenta o crescimento da inteligência artificial.

A Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), que supervisiona o setor de telecomunicações dos EUA, está trabalhando na medida para proibir a importação de novos transceptores ópticos chineses, que permitem que os dados trafeguem por cabos de fibra óptica à velocidade da luz dentro dos data centers. As autoridades esperam publicar a medida ainda este ano, quando ela entraria em vigor.

A medida, que não havia sido divulgada anteriormente, visa impedir que empresas chinesas roubem dados, instalem malware ou interrompam o serviço ⁠em data centers ⁠dos EUA, que abrigam os chips utilizados para treinar ​e executar ‌modelos de IA.

A FCC ainda poderia modificar ou arquivar a restrição, ressaltaram as fontes, que falaram sob condição de anonimato para discutir assuntos delicados. Mas este é o mais recente exemplo da tentativa do governo Trump de limitar as incursões tecnológicas chinesas em setores de ponta dos EUA antes que elas se tornem parte integrante da cadeia ⁠de suprimentos.

“Os transceptores definitivamente representam um risco”, disse Divyansh Kaushik, especialista em políticas de IA da ​Beacon Global Strategies, empresa de consultoria sediada em Washington, D.C. “À medida que a expansão dos data centers ganha escala, é ​preciso garantir que a cadeia de suprimentos dos data centers esteja ‌segura desde o início”, acrescentou ele.

A ​Casa ⁠Branca e a FCC não responderam aos pedidos de comentários. A embaixada chinesa em Washington afirmou que Pequim faz um apelo aos Estados Unidos a “dar ouvidos às vozes objetivas e racionais das comunidades empresariais de ambos os países” e a “parar de difamar as empresas ​chinesas e ameaçá-las com sanções”.

“A China tomará todas as medidas necessárias em resposta a qualquer ação que cause dano material aos seus interesses”, acrescentou.

Os defensores de uma linha dura em relação à China no governo Trump estão empenhados em evitar outra situação como a da Huawei, em que os equipamentos de telecomunicações fabricados pela empresa chinesa — alvo de pesadas sanções — estavam tão profundamente ​integrados à infraestrutura dos EUA que os esforços para removê-los foram lentos, caros e incompletos.

A FCC sempre foi independente, mas, em junho, a Suprema Corte dos EUA endossou a demissão, por Trump, de um membro democrata da Comissão Federal de Comércio, ampliando os poderes presidenciais sobre o governo, incluindo certas agências reguladoras.

Uma proibição dos EUA sobre novos modelos de dispositivos chineses para data centers provavelmente afetaria a chinesa Zhongji Innolight , uma das maiores vendedoras globais de transceptores, que foi incluída em junho na lista do Pentágono de supostas empresas chinesas apoiadas pelas Forças Armadas. A lista pode ser um prenúncio de medidas mais duras. A ​Innolight não respondeu aos pedidos de comentários.

Uma proibição também poderia elevar os custos para empresas norte-americanas de nuvem, como a Amazon Web Services , ‌já que poderia forçá-las a migrar para outros ⁠fabricantes, como a Coherent e a Lumentum , ambas sediadas nos EUA, que devem se beneficiar com a medida.

A Innolight detém uma participação líder de 27% no mercado global de transceptores para data centers, de acordo com a Counterpoint Research. A Coherent e ⁠a Lumentum vendem tecnologia competitiva, mas não têm escala suficiente para substituir os ⁠fornecedores chineses, segundo um relatório da Foundation for American Innovation. ⁠A Innolight gera 90% de ⁠sua ​receita fora da China, acrescentou o relatório.

A AWS, a Coherent e a Lumentum não responderam aos pedidos de comentários.

(Reportagem de Alexandra Alper)

Reuters

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