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EXCLUSIVO-Irã enviou comandantes da Guarda Revolucionária e equipamentos de mísseis aos houthis do Iêmen

EXCLUSIVO-Irã enviou comandantes da Guarda Revolucionária e equipamentos de mísseis aos houthis do Iêmen

Reuters

23/07/2026

Placeholder - loading - Simpatizante houthi observa, durante uma manifestação pró-Irã 6 de abril de 2026 REUTERS/Khaled Abdullah
Simpatizante houthi observa, durante uma manifestação pró-Irã 6 de abril de 2026 REUTERS/Khaled Abdullah

Por Maggie Michael e Parisa Hafezi

23 Jul (Reuters) - O Irã transportou comandantes da Guarda Revolucionária ​Islâmica, conselheiros militares e equipamentos relacionados a mísseis e drones para o Iêmen neste mês, segundo quatro fontes, em uma ação que sugere que Teerã está buscando fortalecer a capacidade de seus aliados houthis de ameaçar a navegação no Mar Vermelho.

Quatro fontes a par do assunto, incluindo duas fontes iranianas, o ministro da Informação do Iêmen e um analista de segurança regional afirmaram que o Irã transferiu o pessoal da Guarda Revolucionária e equipamentos militares em um voo de Teerã para o Iêmen em 13 de julho, um fato que não havia sido divulgado anteriormente.

As duas fontes iranianas disseram à Reuters que entre 10 e 21 membros da Guarda Revolucionária, incluindo comandantes de alto escalão, estavam a bordo do voo da Mahan Air.

O avião tinha como destino original a capital Sanaa, controlada pelos houthis, mas foi desviado para a cidade portuária de Hodeidah, no Mar Vermelho, depois que o aeroporto sofreu um ataque do governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita.

“Os comandantes da Guarda Revolucionária viajaram até lá para apoiar as operações dos houthis e oferecer treinamento sobre novos sistemas de mísseis”, disse uma ⁠das fontes, acrescentando que o ⁠Irã também enviou ouro na aeronave para financiar as atividades dos houthis.

As ​duas fontes iranianas ‌falaram sob condição de anonimato por motivos de segurança.

Essa mobilização oferece novas evidências dos esforços do Irã para fortalecer os houthis, que estão em uma guerra civil contra o governo iemenita reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita há mais de uma década e têm atacado vizinhos do Golfo com mísseis e drones.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã não estava disponível imediatamente para comentar. Teerã negou repetidamente ter fornecido capacidade de mísseis ao movimento houthi no Iêmen.

Abdel Rahman al-Ahnomi, um porta-voz dos ⁠houthis que afirmou estar a bordo do avião, descreveu as alegações de que o Irã enviou especialistas militares ao Iêmen como “mentiras ​e invenções”, acrescentando que todos os passageiros a bordo do avião eram civis.

Os houthis já negaram anteriormente ser um representante do Irã e afirmaram que desenvolvem suas próprias ​armas.

DIAS APÓS A CHEGADA DOS COMANDANTES, HOUTHIS LANÇARAM BLOQUEIO À ARÁBIA SAUDITA

Três dias após a chegada do ‌voo ao Iêmen, a Reuters informou que ​Teerã havia ⁠pedido ao movimento houthi que se mantivesse pronto para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho caso os EUA atacassem a infraestrutura energética iraniana, representando uma nova ameaça ao abastecimento energético global.

Na segunda-feira, o grupo, cuja área de controle no Iêmen tem vista para a via navegável, anunciou um bloqueio naval à Arábia Saudita em resposta ao bombardeio de 13 de julho ​ao aeroporto de Sanaa, que, segundo eles, foi realizado pela Arábia Saudita.

Essas medidas sinalizaram o fim de uma trégua de quatro anos entre Riade e os houthis. A ameaça deles a uma das principais rotas de comércio marítimo do mundo se intensificou ainda mais na quinta-feira, quando o grupo afirmou ter atacado dois petroleiros sauditas.

Moammar al-Iryani, ministro da Informação do governo do Iêmen apoiado pela Arábia Saudita, confirmou as transferências de pessoal e equipamentos da Guarda em uma entrevista por telefone à Reuters na quarta-feira, citando informações de inteligência.

“A missão deles ​é fortalecer as capacidades militares das milícias e prepará-las para ameaçar a segurança marítima internacional no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandab”, disse ele.

Mzahem Alsaloum, analista de segurança e inteligência que acompanha os houthis e outros grupos apoiados pelo Irã há anos, também confirmou a chegada dos especialistas da Guarda no voo de 13 de julho.

VOO TRANSPORTOU COMPONENTES DE MÍSSEIS E DRONES, AFIRMA ANALISTA

Ele disse que parte da carga incluía componentes relacionados a mísseis de curto e médio alcance e drones, sistemas de armas semelhantes aos usados anteriormente em ataques contra a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

Segundo Alsaloum, Teerã também enviou conselheiros militares ao Iêmen durante uma guerra com Israel no ano passado, fazendo-os passar pela Somália -- alegação que foi negada por Teerã.

Os houthis haviam anunciado voos diretos entre Sanaa e Teerã no início deste mês, afirmando que o serviço ajudaria a romper o que descreveram ​como um bloqueio imposto pela Arábia Saudita ao Iêmen.

Em uma coletiva de imprensa em Teerã em 20 de julho, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, disse que o voo ‌para Sanaa em 13 de julho tinha como objetivo levar de volta ⁠para casa uma delegação houthi que havia ido a Teerã para o funeral do líder supremo iraniano assassinado, o aiatolá Ali Khamenei, bem como cidadãos iemenitas que haviam recebido tratamento médico no Irã.

Em 3 de julho, a aeronave transportou o grupo de cerca de 200 pessoas, incluindo autoridades de alto escalão, mulheres e crianças, ao Irã para o ⁠funeral. Em 13 de julho, segundo as quatro fontes, a aeronave retornou ao Iêmen transportando membros da delegação, bem como ⁠comandantes e conselheiros da Guarda.

Antes que pudesse pousar em Sanaa, o governo apoiado pela ⁠Arábia Saudita atacou o aeroporto, forçando ⁠a ​aeronave a desviar-se para Hodeidah, controlada pelos houthis.

As forças militares houthis afirmaram que os aviões de guerra sauditas que lançaram o ataque ao aeroporto foram forçados a deixar o espaço aéreo iemenita.

Reuters

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