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    UE alerta Hungria a não fragilizar democracia com leis sobre coronavírus

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    Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen 18/10/2019 REUTERS/Piroschka van de Wouw

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    BRUXELAS (Reuters) - O Executivo da União Europeia alertou a Hungria nesta terça-feira que as medidas de emergência adotadas por governos para combater a crise do coronavírus não podem minar a democracia.

    O Parlamento húngaro concedeu na segunda-feira ao primeiro-ministro nacionalista, Viktor Orban, poderes irrestritos para governar com decretos e impôs penas de prisão àqueles que atrapalharem medidas que visam conter a disseminação do vírus ou que espalharem informações falsas relacionadas à pandemia.

    'É de suma importância que as medidas de emergência não sejam à custa de nossos princípios e valores fundamentais... a democracia não pode funcionar sem uma mídia livre e independente', disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

    'Quaisquer medidas de emergência precisam ser limitadas ao que é necessário e estritamente proporcional. Elas não devem durar por tempo indeterminado... os governos precisam fazer com que tais medidas sejam submetidas a uma vigilância constante', disse ela em um comunicado.

    A Comissão Europeia, o Executivo do bloco, disse que analisará a lei húngara e vai monitorar sua implantação.

    A Hungria já causou alarme na Comissão ao ampliar o controle estatal sobre a mídia, acadêmicos e grupos de direitos humanos.

    O porta-voz do governo húngaro, Zoltán Kovács, disse que a lei é 'congruente com os tratados (da UE) e com a Constituição húngara, e visa exclusivamente o combate ao coronavírus'.

    'Ela preserva os valores da UE, o Estado de Direito, a liberdade de imprensa', tuitou ele em reação aos comentários da Comissão.

    Na Polônia, aliada eurocética da Hungria, o governo já restringiu a circulação e a atividade econômica através de decretos executivos.

    O país poderia ter declarado um 'estado de desastre natural' legal, mas isto poderia colocar em questão uma eleição presidencial marcada para 10 de maio.

    Tanto a Polônia quanto a Hungria --ex-países comunistas no flanco leste da UE-- estão envolvidas em batalhas recorrentes com Bruxelas, que as acusa de minarem os princípios democráticos básicos do bloco.

    (Por Gabriela Baczynska e Anna Wlodarczak-Semczuk)

    Escrito por Reuters

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