Drone atinge navio-tanque de armazenamento em porto egípcio no Mediterrâneo, diz empresa de segurança Ambrey
Drone atinge navio-tanque de armazenamento em porto egípcio no Mediterrâneo, diz empresa de segurança Ambrey
Reuters
29/07/2026
Atualizada em 29/07/2026
Por Jana Choukeir e Ahmed Tolba
DUBAI/CAIRO, 29 Jul (Reuters) - Um drone atingiu um navio-tanque de armazenamento de gás de propriedade dos EUA no porto egípcio de Damietta, no Mediterrâneo, informou a empresa britânica de segurança marítima Ambrey em uma avaliação inicial nesta quarta-feira, em uma potencial ampliação da guerra no Oriente Médio.
O drone atingiu o navio-tanque flutuante Energos Winter, causando um incêndio que se espalhou para outra embarcação, segundo três fontes do setor familiarizadas com o incidente.
Um comunicado do Ministério do Petróleo do Egito confirmou um incêndio no porto, mas não fez menção a um ataque com drone.
Não houve reivindicação imediata de responsabilidade pelo incidente, que, segundo o ministério, foi contido imediatamente, sem vítimas.
Mais cedo nesta quarta-feira, os Estados Unidos e a Arábia Saudita atacaram grupos paramilitares apoiados pelo Irã no Iraque, e o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu “dar uma surra” no Irã por ter atacado tropas norte-americanas dias depois de ele ter suspendido os ataques aéreos.
O Irã confirmou durante a madrugada que havia disparado contra bases norte-americanas na Jordânia e contra navios no Estreito de Ormuz, além de ter rejeitado uma proposta de Omã para administrar conjuntamente o estreito.
“Vamos atacá-los com força”, disse Trump, segundo a Fox News. “Vamos dar uma surra neles.”
Os preços do petróleo dispararam nesta quarta-feira, em um dos picos mais acentuados da guerra que já dura cinco meses. Os futuros do petróleo Brent subiram mais de 8%, levando o preço de referência bem acima dos US$90 por barril, revertendo grande parte da queda registrada no início desta semana, quando Trump havia suspendido inesperadamente os ataques dos EUA no fim de semana.
A retomada abrupta dos ataques, poucos dias após sua suspensão, marcou o retorno ao padrão volátil de “vaivém” das fases iniciais da guerra. Trump havia dito que a operação 'Fúria Épica” duraria apenas algumas semanas quando a lançou em fevereiro, mas os combates já se estendem por cinco meses, sem fim à vista.
“MORTE À AMÉRICA” GRITADO NO IRAQUE
Os ataques conjuntos dos EUA e da Arábia Saudita também marcam a primeira vez que Riad se juntou publicamente a Washington nos ataques. Isso poderia ampliar o conflito ao envolver a Arábia Saudita, de maioria muçulmana sunita, em combate contra forças aliadas do Irã, de maioria xiita, em uma nova frente.
O grupo Forças de Mobilização Popular do Iraque, poderoso grupo paramilitar apoiado pelo Irã e incorporado às forças de segurança iraquianas, disse que pelo menos 20 membros foram mortos e 32 ficaram feridos nos ataques dos EUA e da Arábia Saudita que tiveram como alvo várias bases em todo o Iraque.
Homens iraquianos gritavam slogans sectários xiitas e “Morte à América!” enquanto carregavam os corpos de combatentes mortos em sacos mortuários para fora de um hospital em Mossul, no norte do Iraque, como mostraram imagens da emissora iraquiana Al-Ahad.
Washington e Riad afirmaram ter atacado o grupo apoiado pelo Irã no Iraque em retaliação aos ataques com drones contra alvos petrolíferos sauditas lançados a partir do Iraque.
Foi a primeira grande ação militar dos EUA no Oriente Médio desde a última sexta-feira, quando Trump suspendeu abruptamente uma intensa campanha de bombardeios após 13 dias, depois de ter sido informado pelos comandantes de que a estratégia havia chegado ao fim.
Embora o Irã negue que suas forças tenham dirigido ataques a partir do território iraquiano, o jornal iraniano Hamshahri informou que quatro conselheiros da Guarda Revolucionária Iraniana foram mortos nos ataques ao Iraque.
PERIGOSA DIVISÃO NO IRAQUE
Os ataques ao Iraque expõem uma divisão perigosa nesse país volátil. O governo liderado por xiitas é um dos poucos no mundo a equilibrar laços militares e diplomáticos estreitos tanto com Teerã quanto com Washington, mas essas lealdades divididas são uma fonte constante de tensão e frequentes agitações internas.
O gabinete do primeiro-ministro Ali al-Zaidi, que assumiu o poder há apenas dois meses, instou as partes envolvidas a evitar a escalada e afirmou que deseja manter o país fora dos conflitos regionais.
A Presidência iraquiana condenou os ataques contra o grupo paramilitar como “um ataque inaceitável e uma violação flagrante da soberania do Iraque”, ao mesmo tempo em que pediu a suspensão dos ataques de grupos armados contra os vizinhos do Iraque.
Trump disse à Fox que os Estados Unidos haviam coordenado com o governo iraquiano a realização dos ataques. Um porta-voz do governo iraquiano não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a afirmação de Trump de que Bagdá havia cooperado.
Washington há muito tempo vem exortando o governo de Bagdá a reprimir os grupos paramilitares apoiados pelo Irã, mas as tentativas de fazê-lo no passado provocaram agitação.
Em um claro desafio à autoridade de Zaidi, um dos principais grupos iraquianos apoiados pelo Irã, o Kataib Hezbollah, afirmou que daria ao governo até a próxima quinta-feira para provar que é capaz de defender a soberania do Iraque.
Os laços profundos entre o Irã e o Iraque, os dois maiores países de maioria xiita, estão em evidência nesta semana, à medida que centenas de milhares de peregrinos iranianos se dirigem a santuários no Iraque para uma celebração anual em memória dos mártires. Alguns carregavam retratos do líder supremo iraniano assassinado, o aiatolá Ali Khamenei.
EUA AFIRMAM TER EVITADO ATAQUE IRANIANO ÀS SUAS TROPAS
Horas antes de lançar os ataques conjuntos com a Arábia Saudita contra o Iraque, os militares dos EUA disseram que suas defesas aéreas haviam evitado um ataque surpresa do Irã contra as tropas norte-americanas na região.
As Forças Armadas da Jordânia afirmaram ter derrubado cinco mísseis iranianos. As bases norte-americanas na Jordânia tornaram-se recentemente alvos principais do Irã, onde três militares norte-americanos foram mortos neste mês, nas piores baixas dos EUA desde março.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter disparado vários mísseis balísticos contra instalações militares dos EUA na Jordânia e ter atingido três navios-tanque que tentavam transitar pelo Estreito de Ormuz por uma rota não autorizada.
Os combates foram retomados este mês depois que um acordo provisório entre os EUA e o Irã, firmado em junho, fracassou devido à disputa sobre o destino do estreito — a rota de transporte de energia mais importante do mundo —, que o Irã afirma controlar e onde pretende cobrar taxas.
Reuters

