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    FMI melhora previsão para PIB do Brasil em 2020 e passa a estimar queda de 5,8%, de 9,1% antes

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    Pessoas caminham entre vendedores ambulantes e suas mercadorias no centro do Rio de Janeiro, Brasil, 1º de setembro de 2020. REUTERS/Ricardo Moraes

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    Por Jamie McGeever

    BRASÍLIA (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou nesta segunda-feira suas perspectivas econômicas de 2020 para o Brasil, mas alertou que os riscos permanecem 'excepcionalmente altos e multifacetados' e que a dívida do governo está a caminho de encerrar o ano em torno de 100% do Produto Interno Bruto (PIB).

    O FMI agora espera que a maior economia da América Latina encolha 5,8% neste ano, muito menos que a contração de 9,1% que havia estimado anteriormente, e prevê uma recuperação 'parcial' e um crescimento de 2,8% no próximo ano.

    Em um documento que descreve as conclusões preliminares de uma recente visita de uma equipe ao Brasil, o FMI disse que os riscos negativos 'significativos' incluem uma segunda onda da pandemia, 'cicatrizes de longo prazo' de uma longa recessão e choques na confiança devido à enorme dívida pública do país.

    Embora o FMI receba com satisfação o compromisso do governo de reduzir a dívida do Brasil, o Fundo alertou que pode levar tempo para que emprego, renda e pobreza voltem aos níveis anteriores à pandemia.

    'Se as condições de saúde, econômicas e sociais ficarem piores do que as autoridades esperam, eles (integrantes do governo) devem estar preparados para fornecer apoio fiscal adicional', disse o FMI, acrescentando que a prioridade da política de curto prazo é 'salvar vidas e meios de subsistência'.

    Os pagamentos de ajuda emergencial a milhões das famílias mais pobres do Brasil devem expirar no final deste ano, gerando ruídos políticos, incerteza fiscal e volatilidade no mercado financeiro nas últimas semanas conforme o governo tenta desenhar um programa que substitua o auxílio.

    O FMI observou que a curva de juros do Brasil está 'muito inclinada', destacando esses temores fiscais de longo prazo, e disse que uma série de reformas estruturais para uma 'consolidação de médio prazo será essencial' para mitigar os riscos da dívida.

    O relatório alertou que, sem evidências 'inequívocas' de que a regra do teto de gastos do governo será preservada, as despesas extras podem minar a confiança do mercado e elevar as taxas de juros.

    Com espaço limitado para uma política fiscal mais frouxa, o Brasil deve confiar mais na política monetária, disse o FMI, acrescentando que o Banco Central tem espaço para cortar a taxa Selic abaixo da taxa atual de 2%, mínima recorde, se a inflação e as expectativas de inflação permanecerem baixas.

    'Como complemento, o uso contínuo da orientação futura para sinalizar que a taxa básica de juros permanecerá baixa por mais tempo, condicionada à manutenção de um regime fiscal sólido, pode ter um efeito expansionista sem riscos para a estabilidade financeira', disse o FMI.

    Escrito por Reuters

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