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    Governo central tem déficit primário de R$9,9 bi em agosto, menor que o esperado

    Placeholder - loading - Notas de 200 reais 02/09/2020 REUTERS/Adriano Machado/File Photo
    Notas de 200 reais 02/09/2020 REUTERS/Adriano Machado/File Photo

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    BRASÍLIA (Reuters) - O governo central, formado por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registrou um déficit primário de 9,9 bilhões de reais em agosto, menor do que o estimado pelo mercado, ajudado pela maior arrecadação e recebimento de volume expressivo de dividendos da Petrobras.

    Conforme dados divulgados pelo Tesouro nesta terça-feira, os dividendos totais somaram 7,2 bilhões de reais no mês, contra apenas 694,8 milhões de reais em igual mês de 2020. A conta foi impulsionada pelo pagamento de 6,1 bilhões de reais feito pela Petrobras.

    Já a arrecadação com impostos recolhidos pela Receita Federal subiu 20% sobre agosto do ano passado, um acréscimo de 15,1 bilhões de reais.

    Com isso, o resultado primário do mês veio melhor que a projeção de um déficit de 13,5 bilhões de reais apontada em pesquisa Reuters com analistas. Em agosto do ano passado, sob o impacto das medidas de enfrentamento à pandemia da Covid-19 e da recessão econômica, o governo central registrou um saldo negativo de 96,1 bilhões de reais.

    No acumulado de janeiro a agosto, o rombo nas contas públicas foi de 83,3 bilhões de reais, contra 601,3 bilhões de reais em igual período de 2020, num dado que, segundo o Tesouro, aponta que o Brasil poderia estar perto de zerar o déficit primário em 2021, ou mesmo ter um pequeno superávit, se desconsiderados os gastos extraordinários de combate à pandemia.

    'O resultado de agosto corrobora a tendência de melhora consistente nos indicadores fiscais', disse o Tesouro, em nota.

    Recentemente, o Ministério da Economia já havia melhorado sua projeção de déficit primário para o governo central em 2021 a 139,4 bilhões de reais, diante da perspectiva de maior arrecadação.

    O Tesouro frisou que neste ano as despesas ligadas ao enfrentamento da crise com o coronavírus estão mais focalizadas, com um volume autorizado ao redor de 1,6% do PIB, frente a 7% do PIB em 2020.

    'Outro aspecto a se notar é o papel do teto de gastos como principal âncora fiscal num período de recuperação da receita', disse o Tesouro, ressaltando que, com o mecanismo, a alta na arrecadação não se reverte em criação de novos gastos, mas em melhoria no resultado primário e da trajetória de endividamento.

    'A recuperação da capacidade de geração de superávits primários no Brasil é uma necessidade premente, uma vez que o país, na comparação com seus pares, possui uma dívida em média mais alta e mais cara', destacou o Tesouro.

    (Por Marcela Ayres)

    Escrito por Reuters

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