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Governo eleva preços-teto dos leilões de potência do setor elétrico

Governo eleva preços-teto dos leilões de potência do setor elétrico

Reuters

13/02/2026

Placeholder - loading - Terminal de importação de gás da Eneva em Sergipe. REUTERS/Marta Nogueira
Terminal de importação de gás da Eneva em Sergipe. REUTERS/Marta Nogueira

Atualizada em  13/02/2026

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 13 Fev (Reuters) - O governo elevou os preços-teto para ​os principais leilões do setor elétrico deste ano, após ter identificado uma distorção em relação aos valores calculados por importantes empresas interessadas no certame, que poderia colocar em risco a contratação de mais potência para o sistema de energia brasileiro.

Os novos preços, aprovados nesta sexta-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para inclusão nos editais das licitações, ficaram em níveis mais próximos dos esperados por empreendedores.

O preço-teto para as usinas existentes a gás natural e a carvão mineral subiu para R$2,25 milhões/MW.ano, ante R$1,12 milhão/MW.ano divulgado no início desta semana.

Para os empreendimentos novos a gás, o valor foi elevado a R$2,9 milhões/MW.ano, ante R$1,6 milhão/MW.ano definido anteriormente.

A necessidade de correção foi admitida pelo Ministério de Minas e Energia, após reação fortemente negativa do mercado na terça-feira, quando os primeiros números foram divulgados, e que levou a um tombo de quase 20% das ações da Eneva ⁠no pior momento, uma ⁠das principais interessadas no leilão.

A visão era de que, ​com os preços ‌anteriores, o certame poderia dar 'vazio', já que as geradoras precisariam de remuneração maior para cobrir custos fixos e diante do aumento do capex devido ao aperto na cadeia de suprimentos, especialmente para turbinas a gás.

Os novos preços estão mais alinhados com os cálculos de mercado para o leilão. Uma fonte ligada a uma grande geradora termelétrica avaliou que preços 'perto de R$3 milhões ou R$2 milhões 'altos'' ⁠são suficientes para viabilizar a contratação.

Já o Citi avaliou que, pela reação do mercado após a divulgação, preços ​na faixa de R$2,5 milhões a R$3 milhões parecem ser vistos como 'bons/base' pelos investidores.

'Os números trazem uma grande sensação de alívio, especialmente ​depois dos preços-tetos iniciais, que faziam muito pouco sentido para nós', escreveu o ‌analista do Citi João Pimentel.

A Eneva ​disse em ⁠nota nesta sexta-feira que considerou 'positiva' a revisão dos valores, que estão agora 'alinhados aos indicadores econômicos do setor de energia'. Segundo a empresa, isso permitirá que o certame cumpra o objetivo de garantir a segurança no suprimento de energia, além de ampliar a competitividade.

Na bolsa paulista, as ações da Eneva subiam ​cerca de 6,5% às 13h30 desta sexta-feira.

Além da Eneva, outros grandes geradores termelétricos já declararam publicamente sua intenção de participar do certame, como Petrobras e Âmbar, do grupo J&F. O leilão também é uma oportunidade para ampliação de hidrelétricas, sendo visado por Axia e Copel, entre outras elétricas.

AVALIAÇÕES CRITERIOSAS

Também foram revisados para cima os preços-teto do leilão voltado para contratar potência de usinas movidas a óleo combustível, diesel e biodiesel.

Para as ​usinas a combustível e diesel, o valor máximo subiu para R$1,6 milhão/MW.ano, contra R$920 mil/MW.ano anteriores, enquanto para o biodiesel, o valor passou para R$1,75 milhão/MW.ano, ante R$990 mil/MW.ano.

Com a atualização confirmada nesta sexta-feira, os leilões seguem marcados para 18 e 20 de março.

Os valores se referem ao máximo que os empreendedores devem considerar em seus cálculos para disputar contratos do leilão, e não o preço final da contratação da energia.

O governo estava trabalhando para aumentar a competição da licitação, de forma a garantir o custo mais baixo possível para os consumidores, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, nesta semana.

Em nota sobre a atualização dos preços-teto, o Ministério de Minas e Energia disse que foram atualizadas ​premissas após escuta, contribuições e 'avaliações técnicas criteriosas'.

'Estamos, portanto, agindo com responsabilidade técnica, prudência regulatória e compromisso com o interesse público”, disse Silveira.

Os dois leilões de ‌reserva de capacidade são considerados fundamentais para diminuir riscos ao ⁠suprimento de energia no país diante do aumento da participação, na matriz, das fontes renováveis eólica e solar, cuja geração não é controlável.

Um dos certames também contratará projetos de expansão de usinas hidrelétricas. Para esses empreendimentos, o preço-teto foi mantido em R$1,4 milhão/MW.ano.

Mais de 120 gigawatts (GW) ⁠em projetos foram habilitados pelo governo para participação no certame. Já a demanda para contratação ⁠não é revelada pelo governo, mas estimativas de mercado dão conta de ⁠pelo menos 20 GW. A ⁠consultoria ​Thymos Energia projeta necessidade de capacidade adicional de 23 GW a 30 GW para manter a segurança operativa do sistema nos próximos anos.

(Por Letícia Fucuchima)

Reuters

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