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Hidrelétricas do Sul do Brasil se preparam para fortes chuvas com El Niño severo no horizonte

Hidrelétricas do Sul do Brasil se preparam para fortes chuvas com El Niño severo no horizonte

Reuters

31/07/2026

Placeholder - loading - FOTO DE ARQUIVO: Imagem captada por drone de casas e terrenos baldios ao longo das margens do Córrego de Sarandi, onde as residências foram demolidas para o projeto de ampliação do dique de Sarandi ap
FOTO DE ARQUIVO: Imagem captada por drone de casas e terrenos baldios ao longo das margens do Córrego de Sarandi, onde as residências foram demolidas para o projeto de ampliação do dique de Sarandi ap

Atualizada em  31/07/2026

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 31 Jul (Reuters) - Usinas hidrelétricas do Sul ​do Brasil estão se preparando para um aumento das chuvas diante do que cientistas acreditam que será um El Niño severo nos próximos meses, com as geradoras revisando planos para lidar com grandes volumes de água que poderão precisar ser vertidos.

As subsidiárias brasileiras da chinesa China Three Gorges (CTG) e da francesa Engie, duas das maiores operadoras de hidrelétricas do país, disseram à Reuters que seus preparativos incluem medidas como testes de vertedouros para garantir a operação segura das usinas e ações junto a comunidades ribeirinhas que podem ser afetadas pela liberação de água dos reservatórios.

O Brasil tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, dependendo das hidrelétricas para cerca de dois terços de sua geração total de eletricidade.

Embora essas usinas ofereçam flexibilidade ⁠para atender ao ⁠consumo de energia nos horários de pico, diferentemente de ​outras fontes ‌limpas, elas também são vulneráveis a mudanças nos padrões de chuva associadas ao El Niño e às mudanças climáticas.

Cientistas esperam que o El Niño severo, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, provoque chuvas intensas no sul do Brasil, ao mesmo tempo em que aumenta o risco de seca na região ⁠amazônica.

O último El Niño, em 2024, reduziu drasticamente a geração das usinas localizadas na Amazônia e ​forçou várias outras no sul a interromper operações devido a enchentes, levando o Brasil a recorrer a fontes ​de energia mais poluentes.

As possíveis implicações do próximo El Niño para a ‌segurança energética colocaram autoridades e ​geradoras de ⁠energia em estado de alerta.

As chuvas já aumentaram nas bacias hidrelétricas do sul do Brasil em julho, atingindo 256% da média histórica de longo prazo, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Os reservatórios da região chegaram a 88% da capacidade, ​acima dos níveis críticos de 30% registrados em abril, após meses de condições climáticas desfavoráveis.

As chuvas recentes não são consequência direta do El Niño, mas o fenômeno climático deverá começar a influenciar a região nas próximas semanas, disse Gilvan Sampaio, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

A gravidade de uma eventual seca na região Norte deverá ficar mais clara até o ​fim deste ano, já que também dependerá das temperaturas do Oceano Atlântico, acrescentou Sampaio.

A CTG, que detém um amplo portfólio de hidrelétricas nas regiões Sudeste e Sul, começou a implementar medidas e protocolos de gestão de risco em junho, antes do cronograma habitual de setembro que antecede a estação chuvosa, devido a preocupações com o El Niño, afirmou Marcio Peres, diretor da empresa no Brasil.

As medidas incluem testes dos vertedouros para garantir que as comportas possam ser totalmente abertas e operadas com 100% da capacidade, aquisição de barreiras e equipamentos para prevenir alagamentos nas casas de força das usinas e revisão ​de protocolos de segurança e emergência.

A partir de setembro, a CTG também começará a trabalhar com cerca de 1.100 moradores de municípios ‌localizados a jusante de suas 14 hidrelétricas em ⁠ações relacionadas a segurança e protocolos de emergência.

A Engie Brasil, que opera hidrelétrica em diversas regiões do país, disse que possui planos 'robustos' de contingência e resposta a emergências para lidar com os efeitos do El Niño.

'Diante da possibilidade de ⁠um evento de maior intensidade, o diferencial da companhia está no reforço do monitoramento meteorológico ⁠de curto e longo prazo e no adensamento das medidas ⁠preventivas junto aos seus ativos ⁠e ​às comunidades no entorno', afirmou Guilherme Ferrari, diretor de Energias Renováveis e Armazenamento da empresa.

(Por Letícia Fucuchima; edição de Manuela Andreoni)

Reuters

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