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CERN e Mistral desenvolvem modelo treinado com bilhões de colisões simuladas para apoiar análises e acelerar pesquisas científicas

Bruna Valle

16/10/2026

Placeholder - loading - CERN e Mistral AI unem inteligência artificial e física de partículas para investigar fenômenos fundamentais do universo (Crédito da Imagem: CERN/Mistral)
CERN e Mistral AI unem inteligência artificial e física de partículas para investigar fenômenos fundamentais do universo (Crédito da Imagem: CERN/Mistral)

A inteligência artificial está prestes a ganhar uma nova função na ciência: ajudar pesquisadores a interpretar alguns dos eventos mais complexos do universo. O CERN, laboratório europeu de física de partículas, anunciou uma parceria de longo prazo com a empresa francesa Mistral AI para desenvolver um modelo capaz de analisar dados de colisões de partículas e apoiar novas descobertas.

Batizado de Flare, o projeto prevê treinar a inteligência artificial com bilhões de colisões simuladas de prótons no Grande Colisor de Hádrons (LHC), o maior acelerador de partículas do mundo. Diferentemente dos modelos de uso geral, que aprendem principalmente a partir de textos e outros conteúdos, o sistema será desenvolvido para reconhecer padrões presentes em dados da física de altas energias.

Um modelo para analisar fenômenos complexos

Quando partículas colidem no LHC, os detectores registram sinais que precisam ser processados para que os cientistas consigam reconstruir os eventos e identificar as partículas envolvidas. Atualmente, esse trabalho depende de uma sequência de algoritmos especializados, cada um responsável por determinadas etapas da análise.

A proposta do Flare é reunir várias dessas funções em um único modelo. A ferramenta poderá ajudar a reconstruir colisões, identificar partículas, sinalizar eventos inesperados e avaliar projetos de futuros detectores. Com isso, os pesquisadores esperam tornar algumas etapas da análise mais integradas e aproveitar melhor as informações produzidas pelos experimentos.

Uma quantidade gigantesca de informações

O desafio também está na escala dos dados. O CERN armazena cerca de um exabyte de informações experimentais do LHC, o equivalente a aproximadamente um milhão de terabytes. Com a futura atualização do acelerador, prevista para entrar em operação por volta de 2030, o número de colisões deverá aumentar dez vezes.

Esse crescimento torna ainda mais importante desenvolver ferramentas capazes de processar informações com precisão e eficiência. A inteligência artificial poderá ajudar os pesquisadores a lidar com esse volume de dados e a identificar padrões que mereçam uma investigação mais aprofundada.

O CERN já utiliza técnicas de inteligência artificial na análise de experimentos há cerca de uma década. A novidade está na tentativa de desenvolver um modelo de base capaz de atender a várias tarefas científicas, em vez de depender exclusivamente de sistemas separados para cada etapa.

Da física de partículas a outras áreas da ciência

Embora o primeiro objetivo seja a física de altas energias, CERN e Mistral avaliam que a experiência poderá contribuir para aplicações em outros campos científicos. A ideia é explorar se modelos treinados para lidar com dados complexos também podem ajudar em pesquisas que exigem grande capacidade de processamento e análise.

A parceria ainda está em fase de desenvolvimento: as instituições não divulgaram um cronograma para a conclusão do modelo nem o orçamento do projeto. Por isso, o potencial científico dependerá dos resultados dos testes e da capacidade de demonstrar ganhos concretos em relação às ferramentas existentes.

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