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IA USA HEMOGRAMA PARA ESTIMAR RISCO DE RETORNO DO CÂNCER DE MAMA

Ferramenta combina informações de um exame de sangue de rotina com dados clínicos

Bruna Valle

11/08/2026

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IA usa dados de um hemograma para estimar o risco de retorno do câncer de mama

Uma inteligência artificial desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo pode ajudar médicos a estimar o risco de retorno do câncer de mama usando informações de um exame que já faz parte da rotina dos pacientes: o hemograma.

Batizado de BreastOncoPredict, o software foi desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, o Icesp. A ferramenta analisa o hemograma, a idade da paciente e informações sobre o estágio do tumor para calcular a probabilidade de recorrência da doença ou de morte em diferentes períodos.

A proposta chama atenção porque, atualmente, algumas ferramentas usadas para avaliar o risco do câncer dependem de testes genéticos feitos a partir do tecido do tumor. Esses exames podem custar milhares de reais e, por isso, têm acesso limitado em sistemas públicos de saúde.

No caso da nova inteligência artificial, os pesquisadores utilizaram informações que já são coletadas normalmente durante o atendimento. Isso significa que, em princípio, não seria necessário realizar uma nova coleta ou acrescentar um exame específico para alimentar o sistema.

O que a IA consegue identificar?

Para desenvolver o software, a equipe analisou dados de mais de quatro mil pacientes tratadas no Icesp entre 2008 e 2022. Os pesquisadores combinaram informações clínicas com diferentes dados encontrados no hemograma e testaram dezenas de modelos de aprendizado de máquina antes de chegar à versão utilizada no estudo.

Um dos resultados que mais chamou a atenção foi a importância dos glóbulos vermelhos na previsão. O sistema identificou uma relação entre maior risco de recorrência e características como níveis mais baixos de hemoglobina, associados à anemia, e valores elevados de RDW, que indica a variação no tamanho das hemácias.

A ferramenta consegue fazer estimativas para períodos diferentes, incluindo dois e dez anos, e apresentou resultados consistentes em diferentes subtipos de câncer de mama.

Outro diferencial é que a IA foi desenvolvida para mostrar quais informações tiveram maior peso em cada previsão. Dessa forma, os pesquisadores conseguem entender por que o sistema chegou à determinada estimativa, em vez de receber apenas um resultado sem explicação.

Possível impacto no tratamento

A expectativa dos pesquisadores é que, no futuro, uma ferramenta desse tipo possa ajudar os médicos a definirem estratégias de acompanhamento mais adequadas para cada paciente.

Uma pessoa identificada como de maior risco poderia, por exemplo, receber um acompanhamento mais próximo. Já pacientes com menor probabilidade de recorrência poderiam evitar algumas intervenções ou exames desnecessários.

O custo também é um ponto importante. Como o sistema utiliza dados que já fazem parte da avaliação médica, os pesquisadores veem potencial para ampliar o acesso a esse tipo de previsão no Sistema Único de Saúde.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, com estimativa de mais de 73 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer.

Ainda não pode ser usado nos hospitais

Apesar dos resultados, o BreastOncoPredict ainda está em fase de pesquisa. O estudo foi feito com dados de pacientes que já haviam sido tratadas, e os próximos passos incluem acompanhar novas pacientes para confirmar o desempenho da ferramenta.

Também estão previstas validações em outros hospitais públicos. A ideia é verificar se os resultados se mantêm quando o sistema é aplicado a grupos diferentes de pacientes.

Por enquanto, portanto, a inteligência artificial não substitui a avaliação médica e não está aprovada para uso clínico. A versão disponível do BreastOncoPredict é destinada exclusivamente à pesquisa e à educação.

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