Ibovespa recua com exterior e pesquisas eleitorais no radar
Ibovespa recua com exterior e pesquisas eleitorais no radar
Reuters
14/10/2026
Atualizada em 14/10/2026
SÃO PAULO, 14 Out (Reuters) - O Ibovespa opera em queda firme na manhã desta quarta-feira, com a reação dos mercados globais aos últimos dados de inflação dos Estados Unidos refletindo nos preços dos ativos domésticos, ao mesmo tempo em que os agentes aguardam com cautela novas pesquisas eleitorais sobre o segundo turno da disputa presidencial.
Às 11h45, o índice de referência do mercado acionário brasileiro recuava 0,9%, a 205.016,26 pontos.
Na mínima, o índice marcou 203.463,77 pontos e, na máxima, 206.881,00 pontos.
A queda da bolsa brasileira acompanha as perdas dos principais índices acionários de Nova York, depois que o relatório de inflação dos EUA reforçou apostas em um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve neste mês.
Após a publicação dos dados, os rendimentos dos Treasuries subiram, o que pressionou as bolsas. No horário acima, o S&P 500 caía 0,66%.
Além da influência externa, o Ibovespa também segue em um movimento de ajuste em meio ao chamado 'trade eleitoral'.
'A bolsa subiu quase 9% em uma semana com o rali eleitoral e chegou ao recorde; qualquer notícia ruim vira motivo para embolsar lucro. Não por acaso, as maiores quedas estão nas ações mais sensíveis a juros, que tinham sido as grandes vencedoras do rali', disse o sócio e estrategista da Zermatt Partners, Enrico Cozzolino, acrescentando que o dado fraco de serviços e a expectativa pela pesquisa Quaest, que será publicada hoje à noite, completam a cautela.
O volume do setor caiu 0,1% frente a julho e teve alta de 0,6% sobre o mesmo mês do ano anterior. Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam um crescimento de 0,4% na comparação mensal e uma alta de 1,1% na comparação anual.
A nova pesquisa Quaest sobre a disputa pela Presidência será divulgada depois das 18h. Na terça-feira, outras pesquisas -- entre elas uma da BTG/Nexus -- mostraram empate técnico no segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
'O ponto de atenção é que o mercado entrou muito posicionado na vitória de Flávio: se as pesquisas mostrarem a disputa apertando, essas realizações podem ganhar força', completou Cozzolino.
DESTAQUES
• ITAÚ UNIBANCO PN recuava 2,38%, com o setor pressionando negativamente o Ibovespa. BRADESCO PN perdia 2,11%, BANCO DO BRASIL ON cedia 1,48% e SANTANDER BRASIL UNIT caía 1,59%.
• VALE ON recuava 1,3%, em linha com o movimento da commodity no exterior. O contrato de minério de ferro para janeiro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) na China encerrou o pregão diurno com queda de 0,81%, a US$100,72 por tonelada.
• PETROBRAS PN subia 1,34% e PETROBRAS ON avançava 1,27%, enquanto o petróleo opera estável no exterior.
• MAGAZINE LUIZA ON caía 6,43%, liderando as perdas do Ibovespa. Na véspera, o jornal Valor Econômico publicou que a companhia estima ficar com R$7 bilhões da crise na Casas Bahia. Na mesma noite, a empresa divulgou esclarecimento na CVM dizendo que 'não comenta nem ratifica estimativas, cálculos ou projeções elaborados por terceiros, que refletem premissas e responsabilidade exclusivas de seus autores'
• CYRELA ON se desvalorizava 4,36%, sendo um dos destaques negativos da bolsa, após a incorporadora e construtora divulgar na véspera uma prévia operacional que apontou queda tanto em lançamentos quanto em vendas no terceiro trimestre.
(Por Igor SodréEdição Michael Susin)
Reuters

