Ibovespa perde fôlego e fecha quase estável após superar 176 mil pontos
Ibovespa perde fôlego e fecha quase estável após superar 176 mil pontos
Reuters
26/08/2026
Atualizada em 26/08/2026
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 26 Ago (Reuters) - O Ibovespa fechou praticamente estável nesta quarta-feira, perdendo o fôlego após superar os 176 mil pontos no melhor momento do dia, em meio a um ambiente de incertezas que ainda mina o apetite a risco na bolsa paulista.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa terminou com acréscimo de 0,01%, a 174.586,26 pontos, após ajustes. Mesmo que marginal, a variação assegurou o sexto fechamento seguido com sinal positivo. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a 176.296,49 pontos. Na mínima, marcou 174.208,48 pontos. O volume financeiro somou R$29,8 bilhões.
Pesquisa da XP com assessores afiliados à plataforma mostrou uma deterioração significativa do apetite em relação à bolsa em agosto, com os riscos fiscais no Brasil e a incerteza eleitoral entre as maiores preocupações.
De acordo com o levantamento, considerando o cenário dos próximos meses, 10% dos participantes afirmaram que seus clientes planejam aumentar a alocação em ações, bem abaixo dos 21% da pesquisa de julho e menor leitura desde maio de 2023. Em paralelo, 17% dos respondentes afirmaram que seus clientes pretendem reduzir a alocação em renda variável, de 14% no mês passado.
Dados da B3 sobre a movimentação de estrangeiros na bolsa mostram alguma trégua na pressão vendedora em agosto, com entrada líquida no último dia 24, de R$69 milhões. No pregão anterior, na sexta-feira, as compras superaram as vendas em R$1,76 bilhão.
Para o especialista em investimentos Marcos Bassani, sócio-fundador da Boa Brasil Capital, trata-se de um fluxo bem pontual, pois 'investidores ainda aguardam o fim da guerra (no Oriente Médio) e a definição da eleição presidencial'. No mês, o saldo de capital externo na bolsa segue negativo em R$21,37 bilhões.
Na pauta do dia, o IBGE mostrou que o IPCA-15 caiu 0,4% em agosto, após alta de 0,06% em julho. Em 12 meses, subiu 4,24%, de 4,52% um mês antes. Expectativas em pesquisa da Reuters apontavam recuo mensal de 0,3% e alta de 4,34% em 12 meses.
Na visão do economista-chefe da Sicredi Asset, Filipe Stona, o IPCA-15 isoladamente não altera de forma estrutural o cenário para a Selic, mas reforça a perspectiva de continuidade do processo gradual de flexibilização monetária, sem indicar, por ora, a necessidade de aceleração do ritmo de cortes. Ele manteve a expectativa de Selic terminal em 13,75% ao ano, com um corte residual na próxima reunião do Copom.
'O cenário interno já previa que a melhora em alimentação e industriais favoreceria a inflação de 2026, ao mesmo tempo que a resiliência dos serviços e das expectativas limita uma comunicação mais branda do Banco Central.'
Da agenda do exterior, o índice de preços norte-americano para despesas com consumo pessoal de julho, o PCE -- medida de inflação preferida do banco central dos EUA -- subiu 3,7% nos 12 meses até julho, repetindo a taxa de junho. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 3,6% para o PCE. O dado reforçou as apostas em um aumento da taxa de juros em setembro.
Em Wall Street, o S&P 500 encerrou ao redor da estabilidade, em sessão também marcada por expectativa para a divulgação do balanço da Nvidia, após o fechamento do pregão.
(Por Paula Arend LaierEdição de Pedro Fonseca)
Reuters

