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Impostos na França atingiram limite e cortes de gastos são inevitáveis, diz Tribunal de Contas

Impostos na França atingiram limite e cortes de gastos são inevitáveis, diz Tribunal de Contas

Reuters

19/02/2026

Placeholder - loading - Entrada do Tribunal de Contas em Paris, na França 19/03/2025 REUTERS/Sarah Meyssonnier
Entrada do Tribunal de Contas em Paris, na França 19/03/2025 REUTERS/Sarah Meyssonnier

PARIS, 19 Fev (Reuters) - A França não pode ​mais contar com o aumento de impostos para controlar suas finanças públicas e deve mudar decisivamente o foco para o corte de gastos, ao enfrentar o segundo ano consecutivo de contas públicas pressionadas, alertou o tribunal de contas nacional nesta quinta-feira.

A meta de déficit do governo de 5% do PIB para 2026 -- que já havia sido flexibilizada em relação aos 4,7% iniciais -- permanece 'altamente incerta' depois que os parlamentares descartaram ⁠diversas ⁠economias importantes no orçamento da ​seguridade social, ‌afirmou a Cour des Comptes, o Tribunal de Contas francês, em um relatório sobre o estado das finanças públicas neste início de ano.

O Tribunal afirmou que o orçamento do governo ⁠para 2026 depende excessivamente de cerca de 12 bilhões de ​euros em tributos adicionais, principalmente da prorrogação quase total de ​um imposto adicional sobre grandes empresas.

Outras medidas ‌de aumento de ​receita originalmente ⁠propostas foram abandonadas ou atenuadas, e o órgão de fiscalização das finanças públicas alertou que as medidas restantes poderiam ter um desempenho inferior ​se a inflação ficar abaixo do previsto ou se as empresas fizerem ajustes para limitar o impacto nos lucros.

Considerando que a França já apresenta a maior carga tributária da zona do euro, o ​Tribunal afirmou que novos aumentos para reduzir o déficit 'correriam o risco de prejudicar a competitividade e afetar o emprego', tornando os cortes de gastos inevitáveis.

No entanto, o lado das despesas do orçamento também acarreta riscos significativos.

A previsão é de que as despesas aumentem apenas 0,3% em 2026, considerando a inflação, numa desaceleração sem precedentes, mas o Tribunal ​alertou para prováveis excessos orçamentários após o parlamento ter descartado medidas como ‌o aumento das coparticipações médicas ⁠e o congelamento das aposentadorias.

Mesmo que a meta de déficit para 2026 seja atingida, a dívida da França ainda subiria para 118,6% ⁠do Produto Interno Bruto (PIB), tornando o país ⁠mais vulnerável ao aumento dos ⁠juros e sujeito ⁠a ​um aperto maior das despesas no final da década.

(Reportagem de Leigh Thomas)

Reuters

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