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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL AVANÇA EM ÁREAS ESTRATÉGICAS E TRANSFORMA EMPRESAS EUROPEIAS

Uso da tecnologia passou de 7% para 18% entre 2021 e 2025, mas a falta de especialistas ainda limita a expansão

Bruna Valle

19/10/2026

Placeholder - loading - A inteligência artificial avança nas empresas europeias e começa a ocupar um espaço maior em atividades consideradas essenciais para a economia
A inteligência artificial avança nas empresas europeias e começa a ocupar um espaço maior em atividades consideradas essenciais para a economia

A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de experimentação para ganhar espaço nas operações de empresas europeias. Uma análise do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia mostra que a parcela de companhias que utilizam essa tecnologia em setores estratégicos da União Europeia subiu de 7% em 2021 para 18% em 2025. O avanço representa mais que o dobro em quatro anos.

O levantamento considera dez áreas importantes para a economia e para a infraestrutura do bloco, entre elas energia, comunicações eletrônicas, indústria, saúde, mobilidade, defesa, turismo e mídia. Embora a adoção tenha crescido em todos os setores analisados, o ritmo varia de acordo com as necessidades de cada atividade e a capacidade das empresas de incorporar as ferramentas à rotina de trabalho.

Mídia, energia e comunicações lideram o avanço

As áreas de cultura, criação e mídia aparecem na dianteira: 38% das empresas desse grupo utilizavam inteligência artificial em 2025. Energia e comunicações eletrônicas vêm na sequência, ambas com 34% e 30%, respectivamente.

A tecnologia pode ser aplicada a diferentes tarefas, desde a produção e análise de conteúdo até a pesquisa e desenvolvimento, a segurança digital e a melhoria de processos internos. Nos setores de energia e comunicações, por exemplo, a integração da IA pode apoiar atividades operacionais e ampliar a capacidade de análise de informações.

Na outra ponta, mobilidade, turismo e agroalimentação registram níveis mais baixos de utilização. A diferença mostra que a adoção não depende apenas da disponibilidade das ferramentas: também é influenciada pelo tipo de atividade, pelos dados disponíveis e pelo grau de adaptação necessário para integrar a tecnologia ao trabalho.

Empresas europeias ampliam o uso da I.A em atividades que vão da criação à infraestrutura

Ferramentas mais acessíveis aceleram a adoção

Um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento é a popularização de sistemas capazes de interpretar e produzir textos, imagens, códigos, áudios e vídeos. Essas ferramentas de uso geral se tornaram mais acessíveis e menos custosas, permitindo que empresas experimentem aplicações sem precisar desenvolver soluções próprias desde o início.

No entanto, utilizar uma ferramenta não significa necessariamente transformar toda a operação. A análise europeia diferencia o uso pontual da inteligência artificial de sua incorporação aos processos centrais de uma organização, onde os ganhos de produtividade e eficiência podem ser mais amplos.

Os resultados indicam que empresas que promovem mudanças na organização do trabalho para integrar a tecnologia também tendem a utilizá-la mais na produção. Isso sugere que os benefícios dependem não só da ferramenta escolhida, mas também da forma como equipes e processos são preparados para trabalhar com ela.

Falta de profissionais é um dos principais obstáculos

Apesar do avanço, a expansão da inteligência artificial enfrenta dificuldades. A escassez de profissionais com conhecimentos especializados aparece como uma das barreiras mais frequentes, acompanhada pela incerteza sobre regras, proteção de dados e privacidade.

Esses desafios ajudam a explicar por que a adoção pode avançar em ritmos diferentes. Além de contratar ou capacitar profissionais, as empresas precisam avaliar quais tarefas podem ser automatizadas, como os resultados serão supervisionados e de que maneira informações sensíveis serão protegidas.

A adaptação também exige decisões sobre a escolha das ferramentas. Enquanto algumas atividades podem ser atendidas por soluções prontas, outras dependem de sistemas personalizados para lidar com requisitos técnicos e operacionais específicos.

Próxima etapa é levar a IA para o centro das operações

Os dados fazem parte do acompanhamento realizado pelo Centro Comum de Investigação com base em pesquisas do Eurostat sobre o uso de tecnologias da informação nas empresas, entre 2021 e 2025. O objetivo é ajudar a identificar diferenças entre setores e orientar medidas para ampliar o uso da inteligência artificial nas áreas consideradas estratégicas pela União Europeia.

O crescimento mostra que a tecnologia já ocupa um espaço maior nas empresas, mas também aponta o próximo desafio: transformar experiências isoladas em aplicações consistentes, capazes de melhorar atividades essenciais.

Com ferramentas mais acessíveis, formação profissional e regras mais claras, a inteligência artificial pode ampliar sua contribuição para a competitividade e a inovação. O ritmo dessa transformação, porém, dependerá da capacidade de cada setor de adaptar a tecnologia às suas necessidades reais.

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