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Interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz começa a afetar colheitas, diz agência da ONU

Interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz começa a afetar colheitas, diz agência da ONU

Reuters

15/10/2026

Placeholder - loading - Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola  24 de julho de 2024 REUTERS/Tita Barros
Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola 24 de julho de 2024 REUTERS/Tita Barros

BANGUCOQUE, 15 Out (Reuters) - O impacto da ​interrupção do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz já está se tornando visível nas colheitas agrícolas, ameaçando reduzir a produtividade das propriedades rurais e elevar os preços dos alimentos, afirmou nesta quinta-feira o presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Álvaro Lario.

“O impacto do bloqueio inicial do Estreito de Ormuz... já está começando a ser percebido”, disse à Reuters Lario. A agência é ligada à ONU.

As interrupções relacionadas ao Estreito de Ormuz nos embarques de ⁠fertilizantes ⁠e os custos mais altos de ​combustível e ‌transporte, agravados pelo El Niño e pelas interrupções no abastecimento de trigo do Mar Negro, estão aumentando os custos em toda a cadeia de abastecimento alimentar, acrescentou Lario.

O Irã tem buscado reforçar seu ⁠controle sobre o Estreito de Ormuz, utilizando esse ponto estratégico para ​pressionar Washington, que, por sua vez, vem mantendo seu próprio bloqueio ​naval aos portos iranianos.

Os estoques existentes de ‌fertilizantes e combustível inicialmente ​amorteceram ⁠o choque, mas a incerteza prolongada levou a um plantio mais cauteloso e à redução do uso de fertilizantes, disse Lario. Segundo ele, os custos mais ​altos do combustível também estão afetando a colheita mecanizada.

Os preços das commodities agrícolas subiram 13% no terceiro trimestre, com novos aumentos previstos para o quarto trimestre deste ano e o primeiro trimestre do próximo ano, disse ​o presidente da agência.

Países que dependem de importações de fertilizantes, combustível e alimentos estão particularmente vulneráveis, conforme Lario, que também destacou a dependência de combustível do Sudeste Asiático, bem como a dependência da região do Golfo Pérsico em relação às importações de alimentos.

A falta de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã, dentro de algumas semanas, sobre um plano apoiado pela ​ONU para o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz poderia causar uma ‌crise de segurança alimentar em ⁠partes da Ásia e da África, disse na quarta-feira à Reuters uma autoridade responsável pelo esquema proposto.

A incerteza atual poderia levar os pequenos agricultores ⁠a abandonar culturas de maior valor, que levam ⁠mais tempo para gerar renda, e ⁠a optar por ⁠culturas ​que proporcionam um fluxo de caixa mais rápido, disse Lario.

(Reportagem de Panu Wongcha-um)

Reuters

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