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Irã ataca instalações de energia no Golfo após Israel atingir importante campo de gás

Irã ataca instalações de energia no Golfo após Israel atingir importante campo de gás

Reuters

19/03/2026

Placeholder - loading - Instalação de gás da QatarEnergy no Catar  2/3/2026   REUTERS/Stringer
Instalação de gás da QatarEnergy no Catar 2/3/2026 REUTERS/Stringer

19 Mar (Reuters) - Os preços do gás na Europa dispararam 25% e o petróleo subiu 10% ​na quinta-feira, depois que o Irã atacou infraestrutura de energia no Oriente Médio em retaliação aos ataques israelenses às suas instalações de gás, marcando a maior escalada da guerra de quase três semanas.

Os ataques aéreos iranianos causaram grandes danos à maior usina de gás do mundo no Catar, tiveram como alvo uma refinaria na Arábia Saudita, forçaram os Emirados Árabes Unidos a fechar as instalações de gás e provocaram incêndios em duas refinarias do Kuweit.

O preço do petróleo Brent subiu para mais de US$119 por barril na quinta-feira, enquanto os preços do gás na Europa dobraram o nível observado no final de fevereiro, antes de os EUA e Israel lançarem sua guerra contra o Irã.

'Essa última escalada parece ser um ponto de inflexão para os mercados, porque o conflito não se trata mais apenas de manchetes militares ou do fechamento do Estreito de Ormuz', disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos do Saxo, em Cingapura.

'Agora está afetando a infraestrutura do sistema energético global. O que está desestabilizando os mercados atualmente é o crescente risco de estagflação', acrescentou ela.

LÍDERES EUROPEUS BUSCAM SOLUÇÕES RÁPIDAS

Líderes europeus tentarão ⁠nesta quinta-feira chegar a um acordo ⁠sobre soluções rápidas para atenuar a alta dos preços causada pelos ataques ​a importantes instalações ‌e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde normalmente passam cerca de 20% dos suprimentos globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Mas alguns governos duvidam que a UE -- cujos 27 Estados-membros têm combinações de energia e impostos nacionais sobre energia muito diferentes -- possa compensar de forma realista um aumento de preços.

Os ataques a South Pars, no Irã, e à usina de Ras Laffan, no Catar, representam uma escalada acentuada, não apenas no conflito em si, mas em suas implicações para os mercados ⁠de energia, disse Rob McLeod, chefe de soluções de risco de preço de energia da Hartree Partners, em um post no LinkedIn.

Grandes ​danos à infraestrutura significam que as instalações podem levar meses ou anos, e não semanas, para serem reiniciadas, segundo ele.

South Pars é o setor iraniano do maior ​depósito de gás natural do mundo, que o Irã compartilha com o Catar, um aliado próximo dos ‌EUA, do outro lado do Golfo. O Ministério ​das ⁠Relações Exteriores do Catar repreendeu Israel por um ataque 'perigoso e irresponsável' às instalações iranianas de South Pars e denunciou o Irã pelo que chamou de 'violação flagrante' do direito internacional, expulsando dois diplomatas iranianos de alto escalão.

Nesta quinta-feira, um drone caiu sobre a refinaria da Aramco-Exxon, SAMREF, informou o Ministério da Defesa da Arábia Saudita, acrescentando que os danos estavam sendo avaliados. O país também ​interceptou um míssil balístico lançado em direção a Yanbu, a cidade portuária do Mar Vermelho que atualmente é o único canal de exportação de petróleo da Arábia Saudita e onde a refinaria está localizada.

O carregamento de petróleo foi brevemente interrompido em Yanbu, disseram duas fontes à Reuters na quinta-feira.

Também nesta quinta, uma das unidades operacionais das refinarias Mina al-Ahmadi e Mina Abdullah da Kuweit Petroleum Corporation foi alvo de drones, resultando em incêndios em ambos os locais, informou a agência de notícias estatal do Kuweit.

'DANOS EXTENSOS' OBSERVADOS EM RAS LAFFAN

A empresa ​estatal de petróleo do Catar, QatarEnergy, o segundo maior exportador de GNL do mundo, disse na quarta-feira que os ataques de mísseis iranianos em Ras Laffan, o local de suas principais operações de processamento de GNL, causaram 'danos extensos', enquanto os Emirados Árabes Unidos fecharam as instalações de gás depois de interceptar mísseis na manhã de quinta-feira.

A QatarEnergy declarou em um comunicado que sua equipe de resposta a emergências foi acionada imediatamente para conter os incêndios causados pelo ataque. No início da quinta-feira, todos os incêndios em Ras Laffan haviam sido controlados, sem nenhum ferimento relatado, informou o Ministério do Interior do Catar.

Saul Kavonic, chefe de pesquisa da MST Marquee, da Austrália, disse que os ataques a Ras Laffan 'poderiam causar uma escassez global duradoura de gás, mas isso não pressionará o governo Trump porque os EUA se beneficiam economicamente dos altos preços globais do gás'.

O Catar produz 77 milhões de toneladas de ​GNL anualmente, que são usadas na geração de energia e nas indústrias. A refinaria de Laffan processa principalmente o condensado em produtos refinados, incluindo combustível de aviação.

Ras Laffan, localizada 80 km ao ‌norte de Doha, é um centro do setor de energia e abriga várias ⁠empresas internacionais, incluindo a Shell, maior comerciante de GNL do mundo.

A Shell está atualmente avaliando qualquer impacto potencial, disse um porta-voz.

Os ataques iranianos ocorreram horas depois que Teerã emitiu avisos de retirada para várias instalações de petróleo na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, após ataques à sua própria infraestrutura de energia em South Pars ⁠e Asaluyeh.

O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu o Irã em uma declaração nas mídias sociais para que não ⁠retaliasse atacando novamente as instalações de GNL do Catar e ameaçou 'explodir maciçamente todo o campo ⁠de gás de South Pars' se ⁠isso ​acontecesse. Ele disse que Israel atacou South Pars sem informar o Catar ou os Estados Unidos.

(Reportagem de Yomna Ehab, Jaidaa Taha, Marwa Rashad, Florence Tan, Hatem Maher, Yousef Saba e Jana Choukeir)

Reuters

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