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Irã enterra vítimas de suposto ataque dos EUA a casamento e dispara contra o Kuwait

Irã enterra vítimas de suposto ataque dos EUA a casamento e dispara contra o Kuwait

Reuters

03/09/2026

Placeholder - loading - Escombros se espalham ao redor de casas danificadas após um suposto ataque próximo a uma festa de casamento em Kuhistik, Sirik, Irã 2 de setembro de 2026 Razieh Poudat/ISNA/via WANA (Agência de Notíci
Escombros se espalham ao redor de casas danificadas após um suposto ataque próximo a uma festa de casamento em Kuhistik, Sirik, Irã 2 de setembro de 2026 Razieh Poudat/ISNA/via WANA (Agência de Notíci

DUBAI, 3 Set (Reuters) - Pessoas enlutadas no Irã carregaram caixões nesta quinta-feira ​em um funeral pelas vítimas de um ataque aéreo dos EUA que teria atingido uma festa de casamento; e Teerã lançou mísseis e drones durante a madrugada contra uma base dos EUA no Kuwait, após a maior escalada da guerra em mais de um mês.

Os enlutados se reuniram no final da tarde nos arredores do vilarejo de Kuhestak, ao longo de um trecho da costa do Estreito de Ormuz que foi atingido por intensos ataques aéreos dos EUA na noite de terça-feira.

Autoridades iranianas afirmam que quatro pessoas morreram e quase 70 ficaram feridas em um ataque que atingiu uma residência durante um casamento. A TV estatal informou nesta quinta-feira que uma quinta pessoa, uma mulher de 22 anos, morreu posteriormente no hospital.

As Forças Armadas dos EUA ⁠afirmaram estar cientes ⁠dos relatos iranianos, mas que “nunca têm como alvo ​civis”.

“Este é o ‌corpo do mártir Amir-Mohammad Karimi, uma criança de 4 anos que foi martirizada em um ataque ao sul do país pelo regime criminoso americano”, disse um repórter da agência de notícias iraniana Mehr em imagens filmadas em frente a uma caminhonete que transportava um caixão coberto com a bandeira sob um dossel de folhas de ⁠palmeira.

Em outras imagens do funeral, os enlutados jogavam pétalas ao ar enquanto uma música triste tocava ​em um alto-falante. O caixão foi carregado passando por uma fileira de soldados em posição de sentido, com rifles ​em punho.

'Se fosse uma instalação militar, não seria tão doloroso. Era ‌uma cerimônia de casamento, mas ​eles transformaram ⁠a alegria das pessoas em luto', afirmou um morador local, segundo a agência semioficial Tasnim.

EUA REALIZARAM BOMBARDEIOS INTENSOS NA TERÇA-FEIRA

Washington lançou ataques aéreos na terça-feira, atingindo o que afirmou serem alvos militares ao longo da costa, em retaliação aos ataques iranianos à navegação no ​Estreito de Ormuz.

A súbita escalada da guerra com o Irã causou um aumento nos preços do petróleo para níveis não vistos desde julho. Os preços subiam pelo quarto dia consecutivo nesta quinta-feira, levando os contratos futuros do petróleo Brent a mais de US$96 o barril. [O/R]

O Irã informou 18 mortos no último ataque dos EUA, incluindo as quatro pessoas mortas no casamento. O ​país respondeu na quarta-feira aos ataques dos EUA com ataques a bases norte-americanas no Iraque, na Jordânia, Catar, Kuwait e Barein, e realizou novos ataques na madrugada desta quinta-feira, afirmando que tinha como alvo outra base norte-americana, no Kuwait.

As Forças Armadas do Kuwait informaram que suas defesas aéreas interceptaram mísseis e drones. Mas, em seguida, a maior escalada do conflito desde julho pareceu se acalmar, sem que fossem relatados mais ataques de grande porte por nenhum dos lados ao longo do dia.

O mês de agosto foi, em grande parte, tranquilo no Golfo Pérsico depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, interrompeu abruptamente ​duas semanas de intensos ataques aéreos em julho, após ter sido alertado por seus militares de que Washington estava ficando sem ‌munições.

Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu ao ⁠lançar a operação Fúria Épica em fevereiro: acabar com o programa nuclear do Irã, impedir sua capacidade de atacar vizinhos e criar condições para que os iranianos derrubem sua liderança.

A economia do Irã tem sofrido severamente com o bloqueio ⁠dos EUA. Mas seus governantes clericais permanecem no poder e pretendem sair da ⁠guerra mais fortes do que antes, exigindo o levantamento das ⁠sanções e esperando cobrar ⁠taxas ​dos navios que utilizam o estreito, que transportava um quinto dos carregamentos globais de petróleo e gás antes da guerra.

(Reportagem da Reuters)

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