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Israel acusa colono pelo assassinato de ativista palestino, em raro indiciamento formal

Israel acusa colono pelo assassinato de ativista palestino, em raro indiciamento formal

Reuters

06/08/2026

Placeholder - loading - Pessoas em luto rezam ao lado do corpo do conhecido ativista palestino Owdeh Hathaleen durante seu funeral, nas proximidades da cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel 7 de agosto de 2025
Pessoas em luto rezam ao lado do corpo do conhecido ativista palestino Owdeh Hathaleen durante seu funeral, nas proximidades da cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel 7 de agosto de 2025

Por Pesha Magid

JERUSALÉM, 6 Ago (Reuters) - O Ministério Público de ​Israel indiciou, nesta quinta-feira, um colono judeu pelo assassinato de um líder comunitário palestino ocorrido no ano passado na Cisjordânia — a primeira acusação desse tipo em mais de sete anos, em meio a um aumento da violência por parte dos colonos no território ocupado.

Em uma acusação formal apresentada pelo Ministério Público, Yinon Levi é acusado de homicídio culposo por imprudência pela morte de Owdeh Hathaleen, um ativista de destaque que participou do documentário “Sem Chão”, vencedor do Oscar de 2025.

As acusações contra Levi também incluem invasão de propriedade com uso de arma e dano doloso à propriedade durante um incidente ocorrido em julho de 2025, no qual ⁠colonos operaram ⁠uma grande escavadeira na aldeia palestina de Umm ​al-Khair, desencadeando ‌um confronto com os moradores.

Hathaleen filmou o momento em que foi baleado durante o confronto. Imagens divulgadas pelo grupo israelense de direitos humanos B’Tselem mostram Levi sacando uma arma e atirando na direção de Hathaleen. Em seguida, ouve-se Hathaleen gemendo enquanto cai no chão.

Levi, que foi alvo ⁠de sanções por parte do Reino Unido e da União Europeia devido à violência ​contra palestinos, já havia negado ter disparado o tiro que matou Hathaleen. A Reuters não conseguiu ​entrar em contato com seu advogado para obter comentários.

INDICIAMENTO RARO

O ‌indiciamento desta quinta-feira é o ​primeiro ⁠desde que os ataques do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, desencadearam a ofensiva militar de Israel em Gaza e levaram a um aumento acentuado da violência dos colonos contra palestinos na Cisjordânia, informou ​a B'Tselem.

Durante esse período, soldados e colonos israelenses mataram pelo menos 1.100 palestinos, entre eles pelo menos 240 crianças, segundo dados das Nações Unidas.

“A decisão de indiciar Yinon Levi é a exceção que confirma a regra. A impunidade que Israel concede a soldados e colonos que causam danos aos palestinos não é ​uma falha do sistema — é um componente central de uma política destinada a permitir que a violência continue e se intensifique”, afirmou a B’Tselem.

Outro grupo de direitos humanos israelense, o Yesh Din, informou que a última vez que um civil israelense foi indiciado pelo assassinato de um palestino na Cisjordânia foi em 2019.

As Forças de Defesa de Israel afirmam que investigam casos de irregularidades cometidas por seus soldados e que, juntamente com a polícia israelense, tomam medidas para reprimir a violência dos colonos.

Centenas de milhares de israelenses se ​estabeleceram entre milhões de palestinos em terras que Israel conquistou na guerra de 1967 e que os palestinos ‌reivindicam como o núcleo de um futuro Estado ⁠independente.

Órgãos da ONU, palestinos e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais segundo as convenções internacionais e um grande obstáculo à paz. Israel contesta que os assentamentos sejam ilegais, alegando que há ⁠presença judaica na Cisjordânia há milhares de anos.

De acordo com dados ⁠das Nações Unidas, 18 palestinos foram mortos em ⁠incidentes ligados a ataques ⁠de ​colonos neste ano, em comparação com 17 em todo o ano de 2025.

(Reportagem de Pesha Magid e Maayan Lubell)

Reuters

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