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Israel ataca sul do Líbano após suspender ataque a Beirute

Israel ataca sul do Líbano após suspender ataque a Beirute

Reuters

02/06/2026

Placeholder - loading - Pessoas fogem dos subúrbios do sul de Beirute, depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu ordenou ataques na região 1º de junho de 2026 REUTERS/Mohamed Azakir
Pessoas fogem dos subúrbios do sul de Beirute, depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu ordenou ataques na região 1º de junho de 2026 REUTERS/Mohamed Azakir

Por Maya Gebeily e Steven Scheer

BEIRUTE/JERUSALÉM, 2 Jun (Reuters) - Israel manteve os ataques no sul ​do Líbano nesta terça-feira, intensificando sua campanha contra o Hezbollah um dia depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que não atacasse Beirute para evitar uma nova escalada na guerra.

Após a intervenção de Trump, o governo do Líbano disse que Israel não iria realizar ataques que havia anunciado nos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, enquanto o grupo interromperia as ações contra Israel.

Mas o anúncio não conseguiu tranquilizar muitos libaneses nem interromper a guerra mais ampla no sul do Líbano, que Netanyahu prometeu manter. O barulho de um drone israelense sobre Beirute deixou os moradores nervosos nesta terça-feira.

O governo libanês disse que tentaria expandir o cessar-fogo em conversas com autoridades israelenses em Washington nesta terça-feira, a última de uma série de reuniões frente a frente das quais Beirute participou, apesar das objeções do Hezbollah.

O Irã exigiu um cessar-fogo no Líbano como parte de qualquer acordo mais amplo com os EUA para acabar com a guerra iniciada no fim de fevereiro.

ATAQUES AÉREOS

No sul, os ataques aéreos israelenses e os disparos de artilharia atingiram uma série de ⁠cidades. Militares israelenses ordenaram que os ⁠moradores da cidade de Nabatiyeh saíssem antes dos ataques.

O Hezbollah anunciou ​duas operações contra ‌as forças israelenses no sul do Líbano na madrugada desta terça-feira, mas não houve ataques com foguetes entre fronteiras. Os militares israelenses disseram durante a noite que interceptaram dois projéteis que atravessaram a fronteira do Líbano para o território israelense.

Se as comunidades do norte de Israel fossem atacadas, os militares israelenses retirariam a população da área de perigo e atacariam os subúrbios do sul de Beirute, alertou o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, em comentários fornecidos por seu gabinete.

IRÃ AUMENTA APOSTA

Faten Al ⁠Chehime, moradora de Beirute, disse que os avisos israelenses a levaram a fugir de sua casa nos subúrbios do sul na segunda-feira, ​apenas duas semanas depois de ter retornado.

'Toda vez que voltamos para nossas casas, há um aviso de que seremos deslocados novamente', disse Chehime, falando em um acampamento ​que abriga pessoas deslocadas em Beirute.

Mais de 1,2 milhão de pessoas no Líbano foram desalojadas pela guerra, ‌que começou quando o Hezbollah disparou contra ​Israel em ⁠apoio a Teerã, em 2 de março.

Israel bombardeou os subúrbios do sul de Beirute, conhecidos como Dahiyeh, em uma fase inicial da guerra, mas realizou apenas dois ataques desde que Trump declarou um cessar-fogo no Líbano, em abril.

As tensões aumentaram na segunda-feira, depois que Netanyahu ordenou ataques a Dahiyeh, com a mídia estatal iraniana informando que Teerã havia interrompido as conversas indiretas com ​Washington devido às ações israelenses no Líbano. Militares do Irã alertaram os residentes do norte de Israel que deveriam sair para evitar danos, caso o país atacasse Beirute.

'Se a agressão israelense ao Líbano continuar, não apenas interromperemos as negociações, mas estaremos em um confronto direto com o inimigo', disse o principal negociador do Irã, o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Qalibaf, ao presidente do Parlamento libanês Nabih Berri, de acordo com uma postagem de Qalibaf no X.

Uma enxurrada de ligações pareceu neutralizar a escalada: Trump disse que havia pedido a Netanyahu para ​não realizar um grande ataque a Beirute e que o Hezbollah, por meio de intermediários, havia se comprometido a não atacar Israel.

Nenhum presidente dos EUA jamais conversou com o Hezbollah, com ou sem intermediários. Washington classifica o Hezbollah como uma organização terrorista.

BEIRUTE PRETENDE REFORÇAR CESSAR-FOGO NAS NEGOCIAÇÕES

Uma autoridade libanesa sênior disse à Reuters que o objetivo das negociações em Washington, que começam nesta terça-feira, seria chegar a um acordo sobre maneiras práticas e sustentáveis de reforçar o cessar-fogo, possivelmente por meio de abordagens em fases.

A autoridade disse que isso poderia significar o estabelecimento de 'zonas-piloto' -- áreas geográficas específicas onde as hostilidades cessariam, as tropas israelenses se retirariam e os soldados libaneses se posicionariam, avançando gradualmente até um cessar-fogo total em todo o Líbano.

A autoridade disse que, embora o Hezbollah não tenha anunciado seu endosso ao cessar-fogo parcial, o grupo interrompeu os disparos contra o norte de Israel.

Israel quer que o Hezbollah ​seja desarmado -- um objetivo compartilhado pela administração libanesa liderada pelo presidente Joseph Aoun e pelo primeiro-ministro Nawaf Salam.

Questionado sobre os anúncios de segunda-feira à noite, Youssef al-Zein, chefe da assessoria de imprensa ‌do Hezbollah, disse que o grupo não tomaria uma posição pública sem uma ⁠declaração formal que obrigasse Israel a implementar uma cessação abrangente das hostilidades em todo o território libanês.

Ele apontou para os contínuos ataques aéreos de Israel no Líbano após uma trégua de 2024, que encerrou a última guerra entre o Hezbollah e Israel, e após a trégua de 16 de abril anunciada por Trump.

'O Hezbollah monitorará os acontecimentos tanto ⁠no campo de batalha quanto nos canais diplomáticos nos próximos dias', disse Zein.

O Ministério da Saúde libanês diz que ⁠mais de 3.400 pessoas foram mortas no Líbano por ataques israelenses desde 2 de março.

Israel ⁠afirma que 26 de seus soldados ⁠e ​quatro civis foram mortos em ataques do Hezbollah desde março.

(Reportagem de Maya Gebeily, Emilie Madi e Raghed Waked em Beirute, Jana Choukeir em Dubai, Steven Scheer em Jerusalém; texto de Tom Perry)

Reuters

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