Após ataque em Beirute, Netanyahu diz que 'não há imunidade' para militantes
Após ataque em Beirute, Netanyahu diz que 'não há imunidade' para militantes
Reuters
07/05/2026
Atualizada em 07/05/2026
Por Steven Scheer
JERUSALÉM/BEIRUTE, 7 Mai (Reuters) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira que não existe 'imunidade' para os inimigos de Israel, um dia após as Forças Armadas israelenses terem alvejado um comandante do Hezbollah em seu primeiro ataque nos subúrbios do sul de Beirute desde o cessar-fogo declarado no mês passado.
Israel disse que o ataque matou o comandante da força de elite Radwan do grupo apoiado pelo Irã.
O Hezbollah, que controla os subúrbios do sul de Beirute, ainda não emitiu nenhum comunicado sobre o ataque ou sobre a situação do comandante.
'Ele provavelmente leu na imprensa que tinha imunidade em Beirute. Bem, ele leu e isso não é mais verdade', disse Netanyahu em um comunicado.
As hostilidades entre Israel e o Hezbollah recomeçaram em 2 de março, quando o grupo abriu fogo contra Israel após Teerã ter sofrido um ataque conjunto dos EUA e de Israel.
O ataque de quarta-feira aumenta a pressão sobre o cessar-fogo no Líbano, que surgiu paralelamente a uma trégua na guerra mais ampla do Oriente Médio. A suspensão dos ataques israelenses no Líbano é uma exigência fundamental do Irã nas negociações de Teerã com Washington.
Anunciado em 16 de abril pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o cessar-fogo no Líbano levou a uma redução das hostilidades: a região de Beirute não foi atingida por Israel durante semanas antes do ataque de quarta-feira.
Mas os lados continuaram a trocar disparos no sul, onde Israel estabeleceu uma zona de segurança autodeclarada.
Netanyahu disse que o comandante do Hezbollah, identificado como Ahmed Ali Balout pelos militares israelenses, 'pensou que poderia continuar a dirigir ataques contra nossas forças e nossas comunidades a partir de seu quartel-general terrorista secreto em Beirute'.
'Digo aos nossos inimigos da maneira mais clara possível: nenhum terrorista tem imunidade', afirmou.
Enquanto Israel e o Hezbollah travam guerra, os Estados Unidos sediaram duas rodadas de negociações entre os embaixadores libanês e israelense em Washington, os contatos de mais alto nível entre representantes dos governos libanês e israelense em décadas.
Uma autoridade do Departamento de Estado norte-americano afirmou que representantes de Israel e do Líbano realizarão uma terceira rodada de negociações em Washington nos dias 14 e 15 de maio.
O cessar-fogo no Líbano foi anunciado inicialmente por 10 dias e, posteriormente, prorrogado por mais três semanas durante o segundo encontro entre os embaixadores libanês e israelense em Washington, realizado no Salão Oval, sob a presidência de Trump.
O Hezbollah se opõe veementemente aos contatos do governo libanês com Israel, refletindo profundas divergências entre o grupo e seus críticos no Líbano.
Trump afirmou no mês passado que esperava receber Netanyahu e o presidente libanês, Joseph Aoun, em breve e que via 'uma grande chance' de os países chegarem a um acordo de paz ainda este ano.
Mas, na quarta-feira, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, disse ser prematuro falar em qualquer reunião de alto nível entre o Líbano e Israel, e afirmou que o fortalecimento do cessar-fogo seria a base para quaisquer novas negociações entre os enviados dos governos libanês e israelense em Washington.
(Reportagem de Laila Bassam em Beirute, Yomna Ehab e Menna Alaa El Din no Cairo)
Reuters

