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Jockey Club SP: arquitetos e urbanistas comentam proposta de desapropriação

Hipódromo de 586 mil metros quadrados pode ser transformado em parque público

Redação Antena 1

30/06/2023

Placeholder - loading - Jockey Club SP: arquitetos e urbanistas comentam proposta de desapropriação / Foto: Reprodução
Jockey Club SP: arquitetos e urbanistas comentam proposta de desapropriação / Foto: Reprodução

Ao longo da última semana, o Jockey Club de São Paulo esteve em foco. Na última segunda-feira (26), a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em segunda votação, a Revisão do Plano Diretor. A lei municipal, proposta em 2014, tem como objetivo fornecer diretrizes para o desenvolvimento urbano da cidade.

Em 2023, algumas alterações foram adicionadas ao PD, entre elas, o estímulo à habitação em áreas próximas a eixos de transporte. Com as novas regras, será permitida a construção de edifícios mais altos em uma área ampliada ao redor de estações de ônibus, metrô e trem. Atualmente, aguarda-se a sanção do Prefeito Ricardo Nunes para que o Plano Diretor entre em vigor.

A Revisão do PD prevê também a criação de 18 novos parques públicos, entre eles está o projeto discutido desde o final de 2022 para desapropriar o Jockey Club.

Tradicional hipódromo de São Paulo, o Jockey Club é familiar para os habitantes da maior metrópole da América Latina desde 1875, ano de inauguração. Seus 586 mil metros quadrados são palco de corridas de cavalos, encontros sociais e empresariais, e eventos privados, culturais e musicais.

Com a apresentação do Projeto de Lei 639/2022, de autoria do vereador e Presidente do órgão Milton Leite (UNIÃO) e do vereador Rodrigo Goulart (PSD), sobre a desapropriação da área, a funcionalidade do espaço pode tomar novos rumos e o Jockey Club ser transformado em parque público.

Mas o que pensam especialistas a respeito dessa proposta? A Rádio Antena 1 conversou com Nabil Bonduki - arquiteto e urbanista, doutor e professor na Universidade de São Paulo - , e Vera Cristina Osse - doutora e professora docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Presbiteriana Mackenzie -.

Com a implementação da proposta, as áreas verdes em São Paulo serão ampliadas e a finalidade de grandes espaços sustentáveis de entretenimento serem acessíveis a toda população será priorizada. Vera Cristina acredita no benefício universal de mais áreas verdes, independente da localização: “Do ponto de vista urbanístico, além da localização e do benefício quanto à permeabilidade do solo, um novo parque serve para complementar a infraestrutura verde da cidade”.

“Um sistema de infraestrutura verde compõe-se de matriz, mancha e corredor. Esse parque funcionaria como uma grande “mancha” para o setor oeste da capital paulista. Além disso, traria diversos benefícios à população lindeira, que são as pessoas que ocupam os espaços próximos ao parque. A criação de um novo parque no Jockey também impactaria de maneira positiva no aspecto cultural, no lazer ativo (trilhas, caminhadas, áreas esportivas etc.), no lazer passivo (áreas de estar, leitura e passeios contemplativos, por exemplo) e, também, propiciaria a recuperação de áreas de mata ciliar, que protegiam as bordas do Rio Pinheiros no passado”, explica a professora da UPM.

Contudo, para Bonduki, existem áreas na capital paulista carentes por arborização, situação que não se aplica à localização do Jockey. “O Plano Diretor tem previsto cerca de 160 parques. A região sudoeste, onde está o Jockey, é já muito beneficiada por áreas verdes e parques”, alega o professor.

A temática sobre áreas verdes é sempre complexa, permitindo olhares e perspectivas bastante divergentes. Contudo, não se pode negar que áreas verdes no espaço urbano nunca são demais. A vegetação está relacionada à preservação da flora, fauna e, consequentemente, à qualidade de vida do ser humano.

As áreas verdes influenciam tanto nas funções ecológicas quanto nas funções psicológicas e estéticas dos habitantes da cidade. A implementação de parques públicos arborizados contribuem também com a organização e composição de espaços no desenvolvimento das atividades recreativas humanas e com a diversificação de paisagens.

É de extrema importância dar voz à estudos e reflexões no tocante a planejamento municipal e políticas públicas que visam a construção de cidades cada vez mais sustentáveis e com diversas áreas verdes disponíveis a toda população.


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Redação Antena 1

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