JOHN DEACON COMPLETA 75 ANOS
BAIXISTA ORIGINAL DO QUEEN CRIOU ALGUNS DOS RIFFS MAIS MARCANTES DA HISTÓRIA E ESCOLHEU UMA VIDA LONGE DOS HOLOFOTES
João Carlos
19/08/2026
Nesta quarta-feira, 19 de agosto, John Deacon completa 75 anos. Baixista original do Queen, ele ajudou a construir algumas das linhas mais reconhecíveis do rock e deixou sua marca em músicas que atravessaram gerações.
Reservado fora dos palcos, Deacon sempre teve um papel decisivo dentro das canções. Seu baixo servia como ponto de encontro entre bateria, guitarra, piano e voz, sustentando o ritmo e, muitas vezes, assumindo o papel de verdadeiro gancho musical.
O baixo que virou protagonista
Another One Bites the Dust

Crédito da imagem: Reprodução/Wiki
Em uma banda conhecida pela força vocal de Freddie Mercury, pelos solos de Brian May e pela energia de Roger Taylor, Deacon encontrou espaço justamente na precisão.
Em Another One Bites the Dust, lançada em 1980 no álbum The Game, o baixo praticamente apresenta a música sozinho. A linha criada por Deacon nasceu de sua aproximação com o funk e a soul music e transformou a faixa em um dos maiores sucessos comerciais do Queen nos Estados Unidos.
A simplicidade aparente do riff é parte de sua força. Poucas notas, repetição e enorme senso de ritmo foram suficientes para criar uma assinatura sonora imediatamente reconhecível.
O impacto permanece. Em uma pesquisa promovida pela Sky Arts em 2025, Another One Bites the Dust foi escolhida como a linha de baixo mais memorável entre os participantes.
Duas notas que marcaram Under Pressure

Crédito da imagem: Reprodução/Deezer
Outro exemplo está em Under Pressure, colaboração do Queen com David Bowie lançada em 1981.
A célebre sequência de baixo que abre a música é tocada por Deacon e se tornou uma das introduções mais reconhecíveis da música pop.
A faixa nasceu de uma sessão coletiva entre Queen e Bowie, por isso não deve ser atribuída individualmente ao baixista. Ainda assim, a linha executada por Deacon é o eixo em torno do qual toda a gravação se desenvolve.
Além dessas duas músicas, sua influência aparece em diferentes momentos da discografia da banda. Deacon também foi compositor de clássicos como You’re My Best Friend e I Want to Break Free, ajudando o Queen a incorporar elementos de pop, funk e soul ao seu repertório.
O integrante mais discreto do Queen

Crédito da imagem: Getty Images
Deacon entrou para o Queen em 1971, aos 19 anos, tornando-se o quarto e último integrante da formação clássica.
Seu perfil contrastava com o dos companheiros. Enquanto Mercury, May e Taylor tinham personalidades mais expansivas, o baixista mantinha uma postura reservada, dentro e fora dos palcos.
Também formado em eletrônica, ele chegou a desenvolver o equipamento que ficou conhecido como Deacy Amp, utilizado por Brian May em diversas gravações.
A morte de Freddie Mercury mudou tudo
A retirada de John Deacon da vida pública não aconteceu imediatamente após a morte de Freddie Mercury, em novembro de 1991.
O baixista ainda participou do histórico concerto em homenagem ao cantor, em Wembley, em 1992, e colaborou no álbum Made in Heaven, lançado em 1995.
Sua última apresentação com o Queen aconteceu em janeiro de 1997, em Paris, ao lado de Brian May, Roger Taylor e Elton John.
No mesmo ano, Deacon ainda participou da gravação de No-One But You (Only the Good Die Young). Depois disso, afastou-se definitivamente das atividades públicas da banda.
Brian May já contou que o baixista sentiu profundamente a morte de Mercury e que o impacto emocional da perda pesou em sua decisão de não continuar.
Hoje, Deacon permanece aposentado dos palcos e distante dos holofotes, embora continue sendo consultado em decisões importantes relacionadas ao legado do Queen.
Aos 75 anos, sua história ajuda a lembrar uma das virtudes do baixo: muitas vezes, ele não precisa disputar espaço para ser essencial. No caso de John Deacon, bastaram algumas notas para deixar uma marca permanente na história da música.


