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Líder de partido antigerra marginalizado na Rússia afirma que não será silenciado

Líder de partido antigerra marginalizado na Rússia afirma que não será silenciado

Reuters

13/08/2026

Placeholder - loading - Presidente do partido político russo Yabloko, Nikolai Rybakov, em Moscou    12 de agosto de 2026    REUTERS/Anastasia Barashkova
Presidente do partido político russo Yabloko, Nikolai Rybakov, em Moscou 12 de agosto de 2026 REUTERS/Anastasia Barashkova

Por Nika Khutsieva

MOSCOU, 13 Ago (Reuters) - O líder do ​único partido antigerra registrado na Rússia afirmou que permanecerá no país e continuará lutando por mudanças, apesar da crescente pressão das autoridades que levou à exclusão do partido das próximas eleições parlamentares.

A Suprema Corte decidiu na segunda-feira impedir a participação do partido liberal pós-soviético Yabloko nas eleições de setembro, uma decisão que, segundo o líder Nikolai Rybakov disse à Reuters, reflete a preocupação das autoridades de que seu apelo para pôr fim à guerra na Ucrânia, que dura mais de quatro anos, estivesse encontrando eco entre os eleitores.

“Para nós, o apoio do povo que existe agora, que é completamente óbvio e impossível de esconder, é ⁠muito mais ⁠importante do que a decisão do tribunal”, ​declarou ele ‌em entrevista em Moscou, relatando que, após o veredicto, centenas de apoiadores nas ruas gritaram “Vergonha!” em voz alta o suficiente para serem ouvidos claramente dentro do tribunal.

O Yabloko possui apenas alguns assentos regionais e não tem representação na Duma, a câmara baixa do Parlamento, que é ⁠dominada pelo partido Rússia Unida, apoiado por Putin.

A votação de setembro elegerá os membros ​da câmara baixa, que conta com 450 cadeiras. É praticamente certo que o Rússia Unida manterá ​seu domínio, embora Rybakov tenha afirmado que o Yabloko ‌seria um candidato mais forte ​do que ⁠o esperado se fosse autorizado a concorrer.

O Yabloko está recorrendo da decisão da Suprema Corte, que se seguiu a uma ação judicial alegando que o partido recebeu apoio de campanha não declarado de fontes ocidentais, ​entre outras acusações que ele nega.

“Eu digo a todos que isso é apenas o começo, porque muitas pessoas só agora começaram a prestar atenção”, disse ele em seu escritório, onde um cartaz escrito à mão dizia: “Pessoal, não matem uns aos outros”.

“Uma das coisas que as autoridades gostariam muito de ver é ​que as pessoas fiquem desiludidas, que decidam que estão sozinhas, que não há ninguém ao seu redor que pense da mesma forma que elas.”

O veterano da oposição, de 47 anos, disse que não tem planos de deixar a Rússia, apesar das rígidas leis de censura e de outras medidas legislativas de tempo de guerra que levaram muitas figuras da oposição e ativistas a fugir ou a correr o risco de serem processados por expressarem opiniões contra a guerra ou outras formas de dissidência.

“Estou na Rússia e ​permanecerei na Rússia”, afirmou Rybakov, que usava um broche com uma pomba da paz na lapela. “Só é possível ‌mudar o que está acontecendo na Rússia, ⁠mudar a situação política na Rússia, estando dentro do país.”

É difícil avaliar a oposição pública à guerra devido aos rígidos controles estatais sobre a dissidência, mas a porcentagem de russos que afirmam apoiar ⁠as ações de suas forças armadas na Ucrânia caiu para 66% ⁠em julho, o nível mais baixo desde fevereiro ⁠de 2022, de acordo ⁠com ​o Levada Center, uma empresa de pesquisa não governamental que consta na lista de agentes estrangeiros de Moscou.

Reuters

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