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Líder de seita no Quênia é condenado a 200 anos de prisão por mortes de crianças por inanição

Líder de seita no Quênia é condenado a 200 anos de prisão por mortes de crianças por inanição

Reuters

06/11/2026

Placeholder - loading - Paul Mackenzie em tribunal de Mombasa, no Quênia    6 de novembro de 2026   REUTERS/Monicah Mwangi
Paul Mackenzie em tribunal de Mombasa, no Quênia 6 de novembro de 2026 REUTERS/Monicah Mwangi

Por Vincent Mumo Nzilani e Jefferson Kahinju

MOMBASA, ​Quênia, 6 Nov (Reuters) - Um tribunal do Quênia condenou nesta sexta-feira o líder de seita Paul Mackenzie a 200 anos de prisão pelos assassinatos de 190 crianças que morreram de fome por ordem dele e foram enterradas em uma floresta, entre as 500 vítimas suspeitas de um dos massacres relacionados a seitas mais letais dos tempos modernos.

A sentença compreendeu 100 anos por homicídio por inanição e 100 anos por homicídio doloso, disse a juíza Diana Kavedza ao ler o veredicto.

Os promotores afirmaram que Mackenzie, que liderava uma igreja cristã apocalíptica em uma ⁠floresta ⁠próxima à costa do Oceano Índico, no ​leste do ‌Quênia, ordenou que seus seguidores morressem de fome, juntamente com seus filhos, para alcançar o paraíso antes do fim do mundo.

Segundo a acusação, cúmplices ameaçavam e espancavam as vítimas para garantir o cumprimento das ordens. Corpos extremamente debilitados foram ⁠encontrados espalhados em covas rasas e despejados em latrinas. Algumas vítimas haviam sido ​enterradas vivas.

Mackenzie, vestindo uma camisa polo cinza e calças pretas, não reagiu enquanto ​a juíza lia sua sentença em uma tenda montada ‌do lado de fora ​do ⁠tribunal onde a audiência foi realizada.

Ele havia negado as acusações de homicídio, alegando que não forçou as vítimas a passar fome. O tribunal rejeitou sua defesa.

Vinte e oito cúmplices receberam penas ​que variam de 10 a 160 anos. Todos foram considerados culpados em um julgamento no mês passado.

O advogado de defesa Lawrence Obonyo, que representa Mackenzie e quase todos os demais condenados, disse que vai recorrer da decisão.

A juíza Kavedza afirmou que Mackenzie conquistou a ​confiança das vítimas por meio de sua presença carismática na mídia e, em seguida, escolheu como alvo seguidores indefesos e vulneráveis. Aqueles que tentavam interromper o jejum eram espancados e amarrados, segundo ela.

“Crianças assistiram seus irmãos caírem mortos após passarem dias sem comer”, disse. “Aqueles que roubavam comida ou água eram espancados, tinham as mãos amarradas e eram trancados em casas, transformadas em locais de jejum para que morressem.”

O caso chocou o Quênia em abril ​de 2023, quando a polícia começou a encontrar corpos na Floresta de Shakahola, perto da cidade ‌litorânea de Malindi.

Embora apenas os casos ⁠de 190 crianças e uma vítima adulta tenham sido abordados no julgamento, a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia afirma que 448 corpos foram encontrados na floresta.

Mackenzie ⁠também é acusado de ordenar a morte de 52 pessoas ⁠encontradas em outro local, em uma vila ⁠a 30 km ⁠de ​distância, elevando o número total estimado de vítimas para 500. Ele se declarou inocente nesse caso.

Reuters

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