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Lula defende comércio em moeda local com Índia

Lula defende comércio em moeda local com Índia

Reuters

20/02/2026

Placeholder - loading - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia na Cidade do Panamá 28/01/2026 REUTERS/Aris Martinez
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia na Cidade do Panamá 28/01/2026 REUTERS/Aris Martinez

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA, 20 Fev (Reuters) - O presidente ​Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que um acordo comercial entre Índia e Brasil seja feito em moeda local, e não necessariamente em dólar, uma posição que tem defendido também em outras instâncias.

Em entrevista à emissora India Today, em Nova Délhi, Lula afirmou que não é necessário que o comércio entre os dois países seja em dólar, mas que isso não é algo para ser feito imediatamente, mas também não é uma 'fantasia'.

'Eu advogo que ⁠não ⁠é necessário que um acordo comercial ​entre ‌Brasil e Índia tenha que ser feito em dólares', disse Lula à emissora indiana, segundo uma transcrição em inglês da entrevista.

'O que eu defendo é que podemos fazer em nossas próprias moedas. É ⁠difícil, sim, é difícil, mas podemos tentar.'

As propostas de que países ​deixem de usar o dólar nas suas transações costumam incomodar o presidente ​dos Estados Unidos, Donald Trump, que já ‌chegou a ameaçar ​os países ⁠do Brics de tarifas de 100% se uma proposta de moeda única do bloco fosse levada adiante.

O presidente brasileiro reforçou que não existe debate dentro do ​Brics, do qual Índia e Brasil fazem parte, para criar uma moeda única.

'Ninguém propôs criar uma moeda do Brics. Não é esta a proposta', disse Lula.

De fato, há conversas sobre facilitação de comércio, como câmaras ​de compensação de pagamentos e transações em moedas locais.

O Brasil já tem operações em moeda local com a China, por exemplo, desde 2023, e trabalha para ampliar movimentos desse tipo com outros países, incluindo a Índia, dentro do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) que existe entre Mercosul e Índia - e que o Brasil quer ampliar.

Assinado em 2004, o acordo está em vigor desde 2009, ​mas é considerado limitado. O ACP prevê apenas em torno de 450 linhas ‌tarifárias com taxas mais baixas para ⁠cada um dos países.

Atualmente, o comércio bilateral entre Brasil e Índia é de US$15 bilhões, mas o Brasil tem como meta pelo menos ⁠dobrar esse valor, segundo Lula.

'Precisamos chegar a entre ⁠US$30 bilhões e US$40 bilhões de ⁠comércio por causa ⁠do ​tamanho dos nossos países e das nossas economias', disse Lula.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)

Reuters

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