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Lula visita Trump em Washington em busca de evitar novas tarifas comerciais dos EUA

Lula visita Trump em Washington em busca de evitar novas tarifas comerciais dos EUA

Reuters

07/05/2026

Placeholder - loading - 20 de abril de 2026. REUTERS/Lisi Niesner/Foto de arquivo
20 de abril de 2026. REUTERS/Lisi Niesner/Foto de arquivo

Por Lisandra Paraguassu e David Lawder

WASHINGTON, 7 Mai (Reuters) - O presidente Luiz Inácio ​Lula da Silva visitará a Casa Branca nesta quinta-feira com o objetivo de reavivar o que o presidente dos EUA, Donald Trump, chamou no ano passado de 'excelente química' entre os dois líderes, esperando evitar novas tarifas e demonstrar disposição para negociar acordos sobre minerais críticos e crime organizado, disseram à Reuters três pessoas do governo brasileiro.

“Não sabemos se a visita vai ajudar”, disse à Reuters uma autoridade brasileira envolvida na organização do encontro. “Mas tem mais chance do que se não fizermos nada.”

No ano passado, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, entre as mais altas taxas aplicadas sobre exportações de outros países, acusando o Brasil de promover uma perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que posteriormente foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

Posteriormente, Trump retirou a maior parte das tarifas, incluindo as sobre a carne bovina e o café, pelo menos em parte para ajudar a conter a ⁠alta dos preços dos alimentos ⁠nos EUA. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou ​as tarifas ‌que ele havia imposto sob uma lei de emergência nacional, eliminando muitas das tarifas restantes.

Os produtos brasileiros ainda estão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, que expira em julho. No entanto, nas últimas semanas, o Brasil tem observado indícios de que suas exportações podem ser atingidas por novas tarifas relacionadas a uma investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais desleais.

Também persistem as tensões em relação ao comércio digital -- ⁠uma vez que o Brasil bloqueou a renovação, apoiada pelos EUA, da moratória tarifária sobre o comércio eletrônico ​da Organização Mundial do Comércio (OMC) -- e às altas tarifas brasileiras sobre alguns produtos, incluindo o etanol.

No mês passado, o Escritório do Representante Comercial ​dos EUA também alegou que quase metade das exportações de madeira do Brasil provém ‌de fontes ilegais – o que o ​governo Lula ⁠nega, argumentando que reduziu as taxas de desmatamento a níveis historicamente baixos.

Autoridades brasileiras manifestaram preocupação com a possibilidade de uma nova onda de tarifas durante uma reunião realizada há duas semanas com representantes do Departamento de Comércio dos EUA. Segundo pessoas presentes nas negociações, os representantes norte-americanos fizeram poucas perguntas, reforçando a ​percepção de que a investigação visava justificar tarifas em vez de resolver questões comerciais.

“O que eles estão fazendo é criar uma base, ainda que falsa, para justificar uma posterior adoção de tarifas”, disse uma segunda autoridade brasileira.

MINERAIS CRÍTICOS E CRIME ORGANIZADO

O degelo nas relações entre Lula e Trump começou em setembro passado na Assembleia Geral da ONU, quando Trump fez o comentário sobre 'química', reconhecendo em parte as vastas reservas de minerais críticos do Brasil, disse Monica de ​Bolle, economista brasileira e pesquisadora sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional.

O desejo do governo Trump de construir uma cadeia de suprimentos de terras raras necessárias para a fabricação de alta tecnologia provavelmente manterá a reunião de Lula e Trump em ordem, disse ela.

'Por parte dos EUA, eles estão buscando algum tipo de acordo – seja lá o que for – sobre minerais críticos e terras raras com o Brasil', disse De Bolle. 'Os EUA realmente precisam de algo de Lula.'

O governo Lula não espera que um acordo sobre minerais críticos se concretize, disseram à Reuters pessoas próximas ao presidente, porque as autoridades ainda encontram dificuldades para chegar a um consenso até mesmo sobre um memorando de entendimento básico.

Existem também tensões em relação aos esforços da Casa ​Branca para designar grupos criminosos da América Latina como terroristas.

O governo Lula está tentando evitar tal medida em relação ao PCC e Comando Vermelho, pois isso poderia ‌abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ⁠ou para sanções contra bancos que, sem saber, fazem negócios com membros desses grupos criminosos.

Tal decisão poderia ter “reflexos na economia brasileira, no setor produtivo e no sistema financeiro”, disse o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, à Reuters em março.

Em vez disso, Lula proporá maior cooperação no combate ⁠ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.

'Não acredito que vai ser ⁠possível assinar qualquer coisa porque mandamos a contra-proposta há pouco tempo, e ⁠não creio que eles tenham tido ⁠tempo ​de processar', disse uma autoridade que trabalhou na elaboração do documento.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu e David Lawder em Washington; reportagem adicional de Ricardo Brito, em Brasília)

Reuters

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