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Manifestantes pelo direito à moradia em Portugal voltam às praças e prometem continuar pressão

Manifestantes pelo direito à moradia em Portugal voltam às praças e prometem continuar pressão

Reuters

20/10/2026

Placeholder - loading - Pessoas em um acampamento de protesto na Praça do Rossio contra a crise imobiliária e o custo de vida, em Lisboa 19 de outubro de 2026 REUTERS/Pedro Nunes
Pessoas em um acampamento de protesto na Praça do Rossio contra a crise imobiliária e o custo de vida, em Lisboa 19 de outubro de 2026 REUTERS/Pedro Nunes

Por Sergio Goncalves e Miguel Pereira

LISBOA, 20 Out (Reuters) - ​Milhares de manifestantes voltaram a duas praças centrais em Lisboa e no Porto nesta terça-feira e prometeram continuar com as manifestações contra a crise imobiliária cada vez mais grave em Portugal, poucas horas depois de a polícia ter desmontado os acampamentos antes do amanhecer e efetuado 55 prisões.

Uma assembleia popular em Lisboa votou na noite desta terça-feira pelo retorno à Praça do Rossio e pela montagem de barracas novamente na quarta-feira.

A cantora Ana Moura se juntou aos manifestantes no local e se apresentou em apoio ao movimento.

Os organizadores afirmaram que mais de 1.000 ⁠pessoas ⁠se reuniram em cada praça. A polícia ​não divulgou ‌estimativas sobre o número de participantes.

Debora Miranda, 41 anos, consultora de comunicação, disse à Reuters que se juntou ao protesto na Praça do Rossio para representar as gerações que lutam contra os custos cada vez mais altos. “Se as pessoas não se ⁠sentem em casa, em todos os sentidos da palavra, não conseguem seguir em ​frente com suas vidas... já basta.”

Ativistas ocupavam a Praça do Rossio, em Lisboa, desde ​sábado, montando cerca de 200 barracas, e a ‌Praça Dom João 1º, ​no Porto, ⁠há cerca de 10 dias.

Os acampamentos espelhavam os protestos por moradia na vizinha Espanha e coincidiram com agitação em países como França, Bélgica e Itália devido ao aumento do custo de vida.

Pouco ​antes das 6h da manhã, após alertar os manifestantes de que os acampamentos eram ilegais, a polícia lançou operações coordenadas nas duas cidades. Os manifestantes desmontaram suas próprias barracas no Porto, enquanto os policiais esvaziavam a Praça do Rossio.

Carla Valadão, porta-voz do acampamento de Lisboa, ​descreveu a operação policial como “muito agressiva”.

O superintendente da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares, disse aos repórteres que o despejo havia sido “calmo, proporcional e adequado, sem nenhuma investida policial”.

Os 55 detidos foram posteriormente liberados, aguardando uma audiência no tribunal de Lisboa na quarta-feira.

Portugal enfrenta uma das piores crises de acessibilidade à moradia da Europa. Os preços de compra mais que dobraram desde 2017 e os aluguéis para novos contratos quase dobraram.

A pressão é mais aguda nas ​grandes cidades, onde também tem havido oposição ao turismo excessivo e ao influxo dos chamados “nômades digitais”.

Os ‌manifestantes exigem que o governo de centro-direita ⁠retire um projeto de lei que facilita os despejos e acaba com os limites máximos de aluguel para novos contratos, o qual foi aprovado em primeira votação no Parlamento ⁠com a abstenção do partido de extrema-direita Chega.

Jorge Paixão, de ⁠19 anos, estudante de história, chamou isso ⁠de “uma crise social”, afirmando ⁠que ​sua geração precisa da “capacidade de viver com dignidade, constituir família e rejuvenescer Portugal”.

(Reportagem de Sergio Goncalves; )

Reuters

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