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    Lula impede anúncio de Manuela como vice e quer esticar negociações até 15 de agosto

    Por Thomson Reuters

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    Atualizada em

    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - Depois de fechar um acordo com o PCdoB para apresentar Manuela D'Ávila como candidata a vice-presidente na chapa presidencial, o PT viu suas pretensões bloqueadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma conversa na tarde desta sexta-feira para que se espere o prazo de registro das candidaturas, em 15 de agosto.

    Mais cedo, uma fonte havia dito à Reuters que o PT havia fechado o acordo com o PCdoB e pretendia apresentar Manuela na convenção deste sábado, para cumprir a legislação eleitoral.

    No final da tarde, no entanto, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad foram a Curitiba apresentar a decisão a Lula. O ex-presidente, que está preso desde abril, avaliou que não existe impedimento legal para anunciar o vice e as coligações até o dia 15 de agosto.

    Em sua conta no Twitter, Gleisi afirmou que não há veto a Manuela, mas Lula quer continuar 'conversando com os aliados'.

    A posição contraria a interpretação da resolução do TSE, que prevê que os nomes dos candidatos a presidente e vice, assim como coligações, devem ser decididos na convenção do partido e anotados em ata, que deve ser entregue à Justiça Eleitoral até a próxima segunda-feira.

    'Vamos manter a estratégia traçada de dar à Executiva ou a uma comissão a definição da candidatura a vice para perto do registro da candidatura, assim como das coligações. Não houve mudança jurisprudencial da Justiça eleitoral em relação as eleições anteriores', disse Gleisi, após visita a Lula.

    No entanto houve uma nova resolução sobre as eleições em dezembro de 2017 e prevê como data-limite para as decisões o dia 5 de agosto.

    Na última quarta-feira, Manuela foi apresentada como candidata à Presidência pelo PCdoB em convenção.

    Em uma reunião em Brasília, na terça-feira, a direção do PCdoB avisou que o partido estaria disposto a formar uma aliança com o PT, desde que a vaga de vice de Lula fosse oferecida a Manuela, contou à Reuters uma segunda fonte petista. A possibilidade já havia sido discutida internamente pelo PT e a ideia de um convite a Manuela tinha o aval de Lula.

    Depois que Lula vetou nesta tarde o anúncio, emissários do PT chegaram a consultar o PCdoB para que Manuela desistisse da candidatura e esperasse até o dia 15 para o anúncio, mas a proposta foi vista pelo partido como 'constrangedora', disse a primeira fonte.

    Segundo a fonte, Lula ainda acredita que o PT possa conseguir outras alianças até o prazo de registro de candidaturas e decidiu deixar o anúncio do vice em suspenso, ao menos por enquanto, já que com a desistência do PSB em se aliar ao pedetista Ciro Gomes, o peso do PCdoB no mercado de coligações teria 'diminuído'.

    Esta semana, Gleisi havia oferecido ao PDT o lugar de vice na chapa com Lula, mas sem deixar claro se Ciro poderia assumir a cabeça de chapa posteriormente, no caso de impugnação de Lula, e que isso só seria conversado mais tarde. O pedetista rechaçou a proposta e a chamou de 'aberração' em público.

    PLANO B

    Outra decisão tomada pelo PT era de que, com Manuela de vice, Fernando Haddad ficaria à disposição para assumir a vaga de candidato a presidente caso aconteça a impugnação da candidatura de Lula. Condenado em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ele deve ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

    Isso, no entanto, não será anunciado oficialmente, já que a estratégia do partido é manter Lula como candidato o máximo possível, inclusive no discurso.

    Até esta tarde, o partido ainda tinha dúvidas do que aconteceria com a impugnação e se ela se restringiria a Lula ou abrangeria a chapa, o que influenciaria a decisão de quem indicar para vice com Lula. A checagem de que apenas o ex-presidente perderia o direito de concorrer selou a decisão.

    Há alguns dias o PT já tratava como certo de que o plano B que sobrara ao partido era Haddad, mesmo com a resistência de parte da cúpula partidária.

    'É o que temos hoje, a menos que Jaques (Wagner, ex-governador da Bahia), volte atrás de novo, o que não acredito que aconteça', disse um parlamentar petista, que pediu para não ser identificado. Questionado sobre a possibilidade de Gleisi ser uma alternativa, afirmou que essa chance não existia.

    Haddad era tratado pelo próprio Lula como plano B antes mesmo de o ex-presidente ser preso. A prisão, no entanto, mais rápida do que Lula esperava, deixou a situação em aberto.

    Nas últimas semanas, cresceu dentro do PT a pressão para que Jaques Wagner aceitasse esse papel mas, na semana passada, o ex-governador, com eleição praticamente garantida ao Senado pela Bahia, comunicou a Lula que não pretendia assumir a chapa.

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