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Médicos e reguladores fazem alertas sobre uso de suplementos em meio à popularidade de remédios para emagrecer

Médicos e reguladores fazem alertas sobre uso de suplementos em meio à popularidade de remédios para emagrecer

Reuters

20/10/2026

Placeholder - loading - Caixas dos medicamentos Ozempic e Wegovy em farmácia em Londres 8 de março de 2024 REUTERS/Hollie Adams
Caixas dos medicamentos Ozempic e Wegovy em farmácia em Londres 8 de março de 2024 REUTERS/Hollie Adams

Por Nicholas P. Brown

NOVA YORK, 20 Out (Reuters) - Para Allison Vecchio, de 42 ​anos, os medicamentos à base de GLP-1 foram “um botão de reset na vida”, mas a um preço — efeitos colaterais como desconforto gastrointestinal, unhas quebradiças e sensação de fraqueza tão intensa que, às vezes, ela não conseguia sair da cama.

Mas a enfermeira do pronto-socorro de Fort Pierce, na Flórida, disse que os sintomas diminuíram quando ela começou a tomar um coquetel de suplementos que incluía fibras, colágeno e eletrólitos — um conjunto que custa de US$200 a US$300 por mês. “É preciso realmente assumir o controle” para transformar a mera perda de peso em melhoria na saúde, disse ela.

Medicamentos à base de GLP-1, como o Ozempic e o Wegovy, da Novo Nordisk, estão entre os maiores avanços médicos dos últimos anos, devido à sua eficácia no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, além de reduzirem o risco de doenças cardíacas. Cerca de 10 milhões de norte-americanos os utilizaram no ano passado, um número que ⁠pode chegar a 25 ⁠milhões até 2030, de acordo com uma pesquisa do JPMorgan.

Seus ​efeitos colaterais, porém, ‌têm levado muitas pessoas a recorrer a suplementos alimentares pouco regulamentados.

As vendas de suplementos nos EUA dispararam nos últimos anos, ultrapassando US$74 bilhões em 2025, de acordo com o Nutrition Business Journal. Embora os usuários confiem plenamente neles, sua crescente popularidade — impulsionada em parte pelas redes sociais — tem feito com que médicos levantem alertas e que órgãos reguladores considerem novas regras sobre como esses produtos chegam ao mercado.

Vitaminas e ⁠suplementos não precisam de aprovação prévia da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), o que torna difícil ​avaliar sua credibilidade científica. Com influenciadores das redes sociais desempenhando um papel cada vez maior na promoção desses produtos, alguns pesquisadores médicos têm ​pedido mais regulamentação do marketing online de suplementos.

Rob Fried, presidente-executivo da Niagen Bioscience , que ‌registrou US$129 milhões em vendas no ​ano passado, ⁠alertou que as empresas “podem contratar um influenciador, ou até mesmo centenas de influenciadores no TikTok... para fazer qualquer afirmação que ajude a vender”.

VENDAS DE SUPLEMENTOS DISPARAM

Vecchio tem 25 mil seguidores no TikTok e mantém contrato com três marcas. Ela também é membro do programa de criadores HealthPro da TikTok Shop, reservado a profissionais ​de saúde licenciados.

Terri Hart, 52, moradora de Pittsburg, no Kansas — uma TikToker com mais de 12.000 seguidores — trabalha principalmente com comissão, analisando os produtos que as marcas disponibilizam aos influenciadores e promovendo aqueles que ela considera que mais a ajudaram.

Hart toma magnésio, eletrólitos, vitamina B12 e outros suplementos, que, segundo ela, ajudaram a compensar o que chamou de “horríveis” náuseas, fadiga e constipação após começar a tomar GLP-1 em 2023. Eles custam cerca de US$110 por ​mês, despesas que o plano de saúde não cobre. A renda do TikTok alivia esse peso, diz Hart.

Ela diz que deixa claro que não é profissional da área médica e incentiva os seguidores a conversarem com médicos antes de seguirem seus conselhos. “Eu estabeleço minha autoridade por meio da minha experiência de vida”, disse Hart.

A TikTok Shop gerou mais de US$1 bilhão em vendas de suplementos alimentares em 2025, ou 5,4% de todas as vendas de suplementos no comércio eletrônico, de acordo com o Nutrition Business Journal, enquanto as vendas gerais de vitaminas e suplementos nos EUA cresceram 5% em 2024 e 7% no ano passado.

Os produtos estão “atraindo novos consumidores e ampliando as rotinas já estabelecidas de uso de suplementos”, disse Erika Craft, analista de dados do Nutrition Business Journal.

Mas, ​na ausência de aprovação prévia da FDA, as pessoas não sabem exatamente o que há em muitos suplementos, disse Jonathan Bonnet, professor clínico associado em Stanford e ‌diretor médico do Ardmore Institute of Health, em Ardmore, Oklahoma.

“Se ⁠você não consegue saber o que está tomando, é difícil saber quais riscos está correndo”, disse ele.

Quase metade dos usuários de GLP-1 começou a tomar novas vitaminas e suplementos após iniciar o tratamento com os medicamentos, de acordo com uma pesquisa do Nutrition Business Journal, sendo probióticos, proteínas e ⁠fibras particularmente populares.

Uma pesquisa com consumidores realizada pelo Boston Consulting Group neste ano revelou que os ⁠usuários de GLP-1 gastam cerca de 20% a mais em proteínas, fibras ⁠e colágeno — uma proteína que ⁠ajuda ​a manter a estrutura da pele — do que antes de começarem a tomar os medicamentos.

(Reportagem de Nicholas P. Brown; Reportagem adicional de Neil J Kanatt, em Bengaluru)

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