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MENOS EXAMES, MAIS TECNOLOGIA: NOVAS FORMAS DE ACOMPANHAR A SAÚDE

Sensores, testes feitos em casa e novas formas de análise do organismo estão ampliando as possibilidades de monitoramento sem depender sempre de procedimentos tradicionais

Bruna Valle

01/10/2026

Placeholder - loading - Novas tecnologias permitem acompanhar sinais do organismo por meio do suor, saliva, urina, movimentos dos olhos e até pequenas estruturas aplicadas sobre a pele
Novas tecnologias permitem acompanhar sinais do organismo por meio do suor, saliva, urina, movimentos dos olhos e até pequenas estruturas aplicadas sobre a pele

Acompanhar a própria saúde nem sempre significa fazer exames em hospitais ou passar por procedimentos desconfortáveis. Uma nova geração de tecnologias está criando alternativas que utilizam amostras simples, sensores e sistemas digitais para observar diferentes sinais do organismo ao longo do tempo.

Entre as tendências destacadas pela Trend Hunter estão soluções capazes de analisar o suor, identificar alterações por meio dos movimentos dos olhos, avaliar hormônios a partir da urina e até administrar medicamentos através da pele.

Suor como fonte de informações

Uma das propostas mais interessantes vem dos sensores que analisam o suor. A tecnologia da Onalabs busca acompanhar continuamente determinados biomarcadores sem a necessidade de coleta de sangue ou de visitas frequentes a laboratórios.

A ideia é transformar o suor em uma fonte de informações sobre o funcionamento do organismo, com possíveis aplicações em acompanhamento de hidratação, desempenho físico e cuidados de saúde à distância.

Sensores capazes de analisar o suor transformam uma resposta natural do corpo em dados para acompanhar a saúde

Os olhos também podem revelar mudanças no cérebro

Outra frente utiliza os movimentos dos olhos como uma espécie de janela para o funcionamento cerebral.

A tecnologia desenvolvida pela NeuraLight analisa esses movimentos para obter biomarcadores relacionados à função neurológica. A plataforma passou a integrar uma grande iniciativa europeia de pesquisa sobre envelhecimento cerebral, que acompanha quase 13 mil pessoas entre 50 e 80 anos.

O objetivo da pesquisa é investigar se alterações sutis nesses movimentos podem ajudar a identificar mudanças neurológicas antes do aparecimento de sintomas mais evidentes.

Saliva substitui procedimentos mais complexos em alguns acompanhamentos

A saliva também ganhou espaço entre as alternativas de coleta menos invasivas.

A empresa Biolyz, por exemplo, utiliza amostras de saliva para analisar dezenas de marcadores relacionados a imunidade, inflamação, hidratação, sono e estresse. A coleta pode ser feita em cerca de um minuto, enquanto o processamento é realizado em laboratório.

Inicialmente voltada a equipes esportivas, a tecnologia mostra como uma amostra simples pode gerar informações complementares para acompanhar recuperação e carga de treinamento.

Hormônio do estresse pode ser acompanhado em casa

Outra novidade aposta na urina para acompanhar o cortisol, hormônio associado à resposta do organismo ao estresse.

O kit desenvolvido pela Mira permite coletar amostras em casa e acompanhar os níveis de cortisol ao longo do tempo. O sistema cria uma referência individual e apresenta os resultados no aplicativo junto de informações sobre ciclo hormonal e rotina.

A proposta é observar padrões, e não apenas uma medição isolada, algo que pode ajudar a compreender melhor as variações individuais.

Medicamentos aplicados pela pele

Nem toda inovação está relacionada apenas ao monitoramento. Algumas tecnologias também procuram tornar tratamentos menos invasivos.

Pesquisadores da Queen’s University Belfast desenvolveram um adesivo com microagulhas dissolvíveis produzido por impressão em três dimensões. As estruturas atravessam a camada mais superficial da pele sem provocar sangramento e depois se dissolvem, liberando medicamentos diretamente na região tratada.

O estudo utilizou compostos destinados ao tratamento de câncer de pele e investigou uma forma de fazer a aplicação de maneira localizada, com potencial para reduzir o desconforto associado a métodos tradicionais de administração.

Uma mudança no jeito de cuidar

Essas tecnologias ainda estão em diferentes estágios de desenvolvimento e não significam que exames convencionais possam simplesmente ser substituídos.

O que elas mostram é outra tendência: tornar a coleta de informações sobre o organismo mais frequente, simples e integrada à rotina.

É uma transformação que aproxima o monitoramento de saúde do cotidiano com menos procedimentos invasivos e mais dados sobre o que acontece entre uma consulta e outra.

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