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Montadoras instaladas no Brasil temem riscos com eventual escassez na oferta de chips

Montadoras instaladas no Brasil temem riscos com eventual escassez na oferta de chips

Reuters

23/10/2025

Placeholder - loading - Logo da Nexperia em unidade da empresa em Hamburgo, na Alemanha 23/10/2025 REUTERS/Jonas Walzberg
Logo da Nexperia em unidade da empresa em Hamburgo, na Alemanha 23/10/2025 REUTERS/Jonas Walzberg

Atualizada em  23/10/2025

SÃO PAULO (Reuters) - Fabricantes de veículos instalados no Brasil estão preocupados com uma possível repetição da crise de falta de componentes eletrônicos que atingiu a produção de montadoras do país durante a pandemia, afirmou a associação do setor nesta quinta-feira.

'A urgência é evidente, e a mobilização se faz necessária para evitar um colapso na indústria', afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, em comunicado.

A nova 'crise dos chips' temida pelo setor automotivo brasileiro é derivada de disputas entre Holanda e China envolvendo a fabricante de microprocessadores Nexperia.

A preocupação começou há alguns dias na Europa, com montadoras como a Volkswagen citando risco de paralisação de produção por falta de componentes.

A China proibiu exportações de produtos da Nexperia, o que atingiu redes de fornecedores de montadoras que incluem BMW e Mercedes, além da Volkswagen.

Pequim anunciou as restrições depois que o governo holandês assumiu o controle da Nexperia devido a questões de propriedade intelectual relacionadas à controladora chinesa Wingtech, que foi colocada em uma lista de sanções do governo dos Estados Unidos no ano passado, sinalizando-a como um possível risco à segurança nacional norte-americana.

A Nexperia fabrica chips que não são considerados sofisticados, mas são necessários em grandes volumes e amplamente utilizados nas indústrias automotiva e de eletrônicos de consumo. A maioria dos chips da empresa é produzida na Europa e finalizada na China e não está claro quanto tempo os estoques vão durar.

Fontes do setor afirmaram à Reuters que a troca de fornecedores é possível, com a Infineon, NXP e Texas Instruments sendo citadas como possíveis alternativas, mas isso demanda tempo devido aos processos de aprovação necessários pelas montadoras.

Segundo a Anfavea, um veículo moderno usa, em média, de 1.000 a 3.000 chips. 'Sem esses componentes, as fabricantes não conseguem manter a linha de produção em andamento', afirmou a entidade.

'Nesse sentido, a Anfavea já alertou o governo federal para que tome medidas rápidas e decisivas para evitar o desabastecimento de semicondutores no país', afirmou a entidade no comunicado sem detalhar.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou que o governo está acompanhando os eventuais efeitos de interrupções da cadeia global de suprimento de semicondutores e está em diálogo com a indústria brasileira 'para buscar soluções que evitem danos às empresas e aos empregos'.

Nesta semana o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita países asiáticos, começando pela Indonésia, acompanhado de comitiva.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

Reuters

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