MÚSICA FAVORITA PODE ALIVIAR A DOR DE UMA AGULHA, INDICA ESTUDO
Estudo com 204 pacientes encontrou melhores resultados com músicas escolhidas pelos próprios participantes do que com faixas selecionadas para relaxar
Bruna Valle
09/10/2026
Escolher uma música conhecida pode ser mais do que uma maneira de passar o tempo em uma situação desconfortável. Uma pesquisa com 204 pacientes indica que ouvir as próprias músicas favoritas pode ajudar a diminuir a dor provocada pela inserção de uma cânula na veia, procedimento realizado antes de alguns exames de ressonância magnética.
Publicado na revista Frontiers in Pain Research, o estudo comparou diferentes condições: pacientes que escutaram músicas de sua preferência, outros que ouviram uma composição de Mozart, um grupo exposto a faixas feitas para promover relaxamento e participantes que realizaram o procedimento sem música. O resultado mais consistente apareceu justamente entre aqueles que puderam escolher o que ouvir.
Quando a escolha pessoal faz diferença
Os pesquisadores acompanharam a percepção da dor antes, durante e depois da colocação da cânula. Quem ouviu suas músicas favoritas relatou redução da dor tanto 30 segundos quanto dois minutos após a inserção.
A diferença não dependeu apenas de a pessoa já sentir dor antes do procedimento. Entre os participantes que apresentavam algum desconforto previamente, a música escolhida também esteve associada a uma redução da dor no momento da inserção.
O resultado sugere que a relação pessoal com uma música pode ser relevante nesse tipo de situação. Familiaridade, lembranças e envolvimento emocional são fatores que podem tornar a experiência de ouvir uma canção diferente da simples exposição a um som de fundo. O estudo, porém, não determinou qual desses mecanismos explica os resultados.
Mozart também apresentou resultados, mas não para todos
A pesquisa encontrou um efeito positivo adicional com a Sonata KV448, de Mozart. Nesse grupo, a redução significativa da dor apareceu entre os pacientes que já sentiam algum desconforto antes da inserção da cânula.
Já as músicas escolhidas especificamente para relaxamento não produziram uma redução significativa da dor. O grupo que não ouviu música também não apresentou melhora nesse aspecto.
A comparação chama atenção porque contraria a ideia de que uma trilha sonora lenta e tranquila necessariamente funciona melhor em situações de tensão. Nesse experimento, a preferência individual foi o fator associado aos resultados mais consistentes.
O que isso pode mudar no atendimento médico
Os resultados abrem espaço para explorar o uso da música como recurso complementar em procedimentos rápidos que provocam desconforto. Permitir que pacientes escolham o que ouvir pode ser uma medida simples, especialmente para pessoas que ficam ansiosas diante de agulhas ou exames médicos.
Há, no entanto, limites importantes. A pesquisa avaliou a dor de curta duração durante um procedimento específico, e os próprios autores apontam a necessidade de investigar se os benefícios também aparecem em intervenções mais dolorosas ou prolongadas. Os resultados não permitem concluir que ouvir música tenha o mesmo efeito em todos os tipos de dor.


