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Nagel, do BCE, diz que inflação elevada ainda não está provocando efeitos de segunda ordem

Nagel, do BCE, diz que inflação elevada ainda não está provocando efeitos de segunda ordem

Reuters

05/10/2026

Placeholder - loading - Presidente do banco central alemão, Joachim Nagel 6 de julho de 2026. REUTERS/Annegret Hilse
Presidente do banco central alemão, Joachim Nagel 6 de julho de 2026. REUTERS/Annegret Hilse

SORRENTO, ITÁLIA, 5 Out (Reuters) - A inflação ​na zona do euro está elevada e os riscos de alta predominam, mas o aumento dos custos da energia ainda não se refletiu nos salários e em outros preços, afirmou nesta segunda-feira o presidente do banco central alemão, Joachim Nagel.

A inflação anual no bloco monetário de 21 países está atualmente em 3,8%, quase o dobro da meta de 2% do BCE, e ainda pode aumentar, alimentando preocupações de que a alta dos preços da ⁠energia ⁠acabe por desencadear efeitos de segunda ​ordem ‌difíceis de conter, perpetuando o rápido aumento dos preços sem uma ação agressiva do banco central.

“Até o momento, não há sinais claros de que a inflação tenha se refletido na definição de preços ⁠e salários”, disse Nagel em um discurso em Sorrento, na ​Itália. “As expectativas de longo prazo, tanto do mercado quanto dos especialistas, ​permanecem consistentes com a meta de inflação ‌de 2% do Eurosistema.”

Ainda ​assim, ⁠Nagel não deu o sinal de que o perigo passou e alertou que as pressões sobre os preços devem permanecer fortes, mesmo excluindo os custos voláteis ​dos alimentos e da energia.

“Os preços do gás são especialmente vulneráveis porque os níveis de estoque estão baixos, e a Europa pode precisar comprar volumes substancialmente maiores durante o inverno”, disse Nagel em uma ​conferência sobre metais preciosos.

“A destruição da capacidade de refino está elevando significativamente os preços dos derivados de petróleo. Secas, incêndios florestais e escassez de fertilizantes também representam riscos para os preços dos alimentos”, acrescentou Nagel.

Essa longa lista de riscos é o motivo pelo qual os mercados financeiros esperam que o BCE aumente sua taxa de depósito de 2,5% mais duas ou três ​vezes ao longo dos próximos 12 meses.

Nagel, no entanto, não endossou as ‌apostas do mercado e limitou-se a ⁠dizer que o BCE precisa ser flexível e continuar a tomar decisões com base nos dados que forem surgindo.

Os mercados estão precificando uma ⁠probabilidade de 20% de alta da taxa ⁠de juros pelo BCE em outubro ⁠e de 80% ⁠de ​um aumento em dezembro, de acordo com dados da LSEG.

(Reportagem de Polina Devitt)

Reuters

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