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Nervosismo com títulos do Japão ofusca primeiro plano de ação de Takaichi para política econômica

Nervosismo com títulos do Japão ofusca primeiro plano de ação de Takaichi para política econômica

Reuters

21/07/2026

Placeholder - loading - Primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi 14 de junho de 2026. Leon Neal/Pool via REUTERS/Foto de arquivo
Primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi 14 de junho de 2026. Leon Neal/Pool via REUTERS/Foto de arquivo

Por Leika Kihara

TÓQUIO, 21 Jul (Reuters) - A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, prometeu ​impulsionar os investimentos em setores de crescimento em seu primeiro plano econômico, finalizado nesta terça-feira, uma promessa ofuscada pelo aumento dos rendimentos dos títulos em um reflexo das preocupações de que o governo possa interferir na política monetária.

O governo de Takaichi tem enfrentado dificuldades para dissipar a percepção do mercado de que pode aumentar os gastos e pressionar o Banco do Japão a adiar os aumentos da taxa de juros a fim de conter o custo do financiamento da já enorme dívida do país.

À medida que os rendimentos dos títulos públicos sobem para níveis não vistos em décadas desde junho, o governo foi forçado a ajustar várias vezes a redação do plano em relação à política monetária.

Uma frase em uma versão preliminar que defendia uma política monetária “que estimule a demanda privada” desapareceu à medida que as taxas de longo prazo subiam.

REVISÕES

Depois que uma versão posterior ⁠que vinculava a política ⁠monetária aos esforços do governo para impulsionar o crescimento abalou ​os mercados, ‌foram feitas revisões para esclarecer que o banco central define a política “para alcançar aumentos estáveis dos preços”.

O projeto final manteve a redação que instava o Banco do Japão a alinhar sua política com a do governo, mas inseriu uma nota de rodapé referindo-se a uma cláusula da lei que estipula a necessidade de proteger a independência do banco central na definição da política monetária.

“Para alcançar uma ⁠economia forte, é muito importante que a política monetária seja conduzida de forma adequada para garantir aumentos estáveis ​dos preços”, afirma o projeto final, que foi aprovado pelo gabinete nesta terça-feira.

A legislação japonesa garante ao banco central independência em relação ​à interferência política, mas também exige estreita coordenação com a política econômica do ‌governo.

COMPROMISSOS PARA IMPULSIONAR O INVESTIMENTO

Takaichi é ​conhecida como ⁠defensora da “Abenomics”, uma combinação de grandes gastos fiscais e afrouxamento monetário por meio da forte emissão de títulos adotada pelo ex-primeiro-ministro Shinzo Abe para tirar o Japão da deflação prolongada.

“Sob a administração de Takaichi, o governo tomará a iniciativa e, em conjunto com o setor privado, investirá em áreas estratégicas, ​pondo assim fim à tendência de subinvestimento que tem atolado o Japão”, afirma o plano.

O Japão buscará trabalhar com o setor privado para canalizar recursos para setores estratégicos, com investimentos públicos e privados combinados projetados para ultrapassar 370 trilhões de ienes (US$2,28 trilhões) até o ano fiscal de 2040, segundo o documento.

Abandonando a linguagem usada em governos anteriores, que prometiam restaurar a saúde fiscal, o plano de Takaichi se comprometeu a equilibrar a ​necessidade de impulsionar o crescimento e alcançar a “sustentabilidade fiscal”.

Desde que assumiu o cargo em outubro, Takaichi prometeu aumentar os gastos para revitalizar a economia. Seu governo também sinalizou reservas em relação aos aumentos dos juros pelo Banco do Japão.

O foco em gastos elevados e taxas baixas elevou os rendimentos dos títulos, em meio à preocupação do mercado de que o Japão possa ver suas finanças piorarem e demorar demais para lidar com os riscos de inflação.

Depois de atingir a máxima em três décadas de 2,9% em 9 de julho, o rendimento do título de referência do governo japonês (JGB) de 10 anos recuou um pouco e estava em 2,73% nesta terça-feira.

“Orientamos a política econômica e fiscal levando em conta a sustentabilidade ​fiscal e a necessidade de manter a confiança do mercado. Continuaremos a fazê-lo com base nesse plano”, afirmou Takaichi nesta terça-feira, em uma reunião de um ‌painel que debatia o plano.

Mas alguns analistas afirmam que meros ⁠ajustes na redação do texto pouco contribuirão para aliviar as preocupações do mercado em relação às políticas de Takaichi.

“O governo quer que o Banco do Japão mantenha os juros baixos para poder emitir mais dívida”, disse o ex-membro da diretoria do banco central Seiji Adachi. “Essa não ⁠é uma boa mensagem a se enviar aos mercados.”

O Banco do Japão encerrou um programa ⁠agressivo de estímulo em 2024 e elevou a taxa de juros ⁠várias vezes, inclusive em junho. Ele ⁠sinalizou ​que está pronto para continuar aumentando sua taxa básica, que, em 1%, ainda é baixa em comparação com outras economias avançadas.

(Reportagem adicional de Kentaro Sugiyama)

Reuters

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