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No 100º dia de guerra, apoiadores e detratores concordam: reinado de Netanyahu não vai durar

No 100º dia de guerra, apoiadores e detratores concordam: reinado de Netanyahu não vai durar

Reuters

15/01/2024

Placeholder - loading - Benjamin Netanyahu em Tel Aviv  7/1/2024   REUTERS/Ronen Zvulun
Benjamin Netanyahu em Tel Aviv 7/1/2024 REUTERS/Ronen Zvulun

Por Maayan Lubell

RAMLA, Israel (Reuters) - Publicada um ano antes do ataque do Hamas em 7 de outubro, a autobiografia do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apresenta um cenário que tem uma semelhança assustadora com os eventos do dia mais mortal de Israel.

'O Hamas pretendia surpreender Israel iniciando a penetração simultânea de centenas de terroristas no país', escreveu ele sobre um plano de uma década do grupo militante palestino que levou as forças israelenses a entrar em guerra em Gaza em 2014 para evitar esse ataque.

'Eles planejavam entrar em jardins de infância e escolas, assassinar israelenses e levar dezenas de reféns para Gaza pelos túneis. Isso poderia significar um desastre.'

Mas, em 7 de outubro do ano passado, os militantes do Hamas executaram seu plano em um ataque no sul de Israel, com uma diferença: os reféns não foram levados para Gaza por meio de túneis, mas através de uma cerca de fronteira rompida.

Os israelenses ainda estão se recuperando da morte de 1.200 pessoas, a maioria civis, e do sequestro de outras 240, incluindo crianças e idosos. O ataque desencadeou uma campanha militar israelense na qual cerca de 24.000 palestinos foram mortos.

Atônitos com a enorme falha de segurança, muitos querem a saída de Netanyahu.

Uma pesquisa publicada pelo não partidário Israel Democracy Institute em 2 de janeiro mostrou que apenas 15% dos israelenses querem que Netanyahu permaneça no cargo após o fim da guerra contra o Hamas, em linha com pesquisas anteriores que mostraram uma queda acentuada em sua popularidade.

Mas o líder, que há anos ostenta a imagem de sr. Segurança, não dá sinais de querer sair.

'Ele é desafiador. Aparentemente, tomou uma decisão estratégica para sobreviver politicamente. Acho que é um objetivo quixotesco e, mais cedo ou mais tarde, acredito que seus próprios pares lhe dirão que seu tempo acabou', disse o analista político Amotz Asa-El.

A mudança política parece improvável no curto prazo, em meio aos combates em Gaza. Enquanto isso, Netanyahu prometeu continuar a guerra até a vitória completa sobre o Hamas, com os chefes de segurança alertando que o combate se estenderá por 2024.

Mas há sinais no governo de Netanyahu de que alguns estão disputando posições.

Relatos de disputas dentro do gabinete de segurança vazaram para a imprensa israelense e o ministro da polícia, de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir, em grande parte excluído de quaisquer decisões de guerra, atacou Benny Gantz, ex-chefe de defesa centrista de Israel que se juntou ao governo de emergência e ao gabinete de guerra de Netanyahu.

PROTESTOS

Protestos de rua contra o governo que varreram Israel por quase um ano até o ataque foram retomados nas últimas semanas, exigindo a realização de eleições. Mas esses protestos ainda são relativamente pequenos em comparação com as manifestações em massa de 2023.

'É hora de ele voltar para casa, disse o gerente de marketing Noa Weinpress, em Tel Aviv. 'Deveria ter acontecido no dia 8 de outubro', acrescentou, opinando que, como não ocorreu, que ocorra agora, depois de cem dias.

Até mesmo alguns dos maiores fãs de Netanyahu parecem resignados com a inevitável partida de um líder que ainda admiram.

'Acho que ele vencerá a guerra e deixará o cargo com dignidade', disse Yossi Zroya, membro do partido Likud de Netanyahu.

O sentimento foi ecoado por outros apoiadores que passeavam pelo mercado de Ramla. 'Netanyahu é um gênio. Ele não é culpado pelo que aconteceu', disse Rafi Kimchi, um negociante de diamantes que veio da vizinha Herzliya. 'Mas acho que ele está acabado.'

(Reportagem adicional de Estelle Shirbon em Tel Aviv)

Reuters

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