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Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC

Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC

Reuters

24/07/2026

Placeholder - loading - Pátio de contêineres do Porto de Santos 6 de agosto de 2025 REUTERS/Jorge Silva
Pátio de contêineres do Porto de Santos 6 de agosto de 2025 REUTERS/Jorge Silva

Atualizada em  24/07/2026

BRASÍLIA, 24 Jul (Reuters) - As novas tarifas dos Estados ​Unidos atingirão 23,1% das exportações brasileiras para o país, segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

Do total, 16,5% das exportações chegarão a uma sobretaxa de 37,5%, somando a aplicação da tarifa de 25%, anunciada na semana passada, à nova taxa de 12,5%, apresentada pelos norte-americanos na quinta-feira.

Apenas 1,9% das exportações terão apenas a sobretaxa de 25%, enquanto 4,7% estarão sujeitas à tarifa de 12,5%.

Entre os produtos com maior taxação estão, ainda de acordo com o MDIC, máquinas e equipamentos, vários tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que serão ⁠3,9 mil ⁠produtos brasileiros afetados pelas duas tarifas somando ​37,5%, o ‌que causaria um impacto de US$12,4 bilhões nas exportações brasileiras, segundo documento divulgado nesta sexta-feira.

Outros 13% das exportações, correspondentes a 75 produtos, ou US$1,6 bilhão em exportações, estarão sujeitos apenas à nova alíquota de 12,5%.

De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, o impacto ⁠na economia brasileira em geral não é devastador, mas cria dificuldades em alguns ​setores.

'O impacto no geral não é alto, como não foi ano passado (quando o Brasil foi ​taxado em 50%). A economia brasileira sobrevive bem. Mas ‌alguns setores são fortemente ​impactados e ⁠nem sempre é fácil encontrar novos mercados para produtos específicos', disse a fonte, lembrando que o Brasil tem, em vários casos, cadeias de produção interligadas com os EUA e produtos que são feitos quase ​sob medida para o mercado norte-americano.

'O que vai acontecer é que depois de algum tempo essas cadeias de produção não vão mais existir, vão ter outros mercados', continuou, ressaltando que o Brasil volta os olhos agora para os mercados asiáticos e europeus.

RECIPROCIDADE

Apesar da cautela em falar sobre retaliação -- ​especialmente pelo temor dos empresários de mais uma resposta norte-americana --, o governo vai dar seguimento aos trâmites da Lei de Reciprocidade, que exige estudos e audiências públicas com os setores afetados.

'Ter o poder de fazer não significa que vamos fazer, mas o governo tem que estar preparado', disse a fonte. 'Você não pode abrir mão de um mecanismo porque aí é como se aceitasse a derrota.'

Qualquer medida, no entanto, só deve sair depois das eleições. Além do processo interno, que leva entre dois ​e três meses, o período eleitoral, mais sensível, não é o mais adequado para tomar decisões dessa ‌monta, disse a fonte.

'Também não sabemos o que ⁠mais vem pela frente. Já estão falando em nova rodada por causa das Big Techs. Temos que estar preparados', disse.

Nesta sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou duramente a União ⁠Europeia pelo que chamou de decisão ilegal de multar o ⁠Google, da Alphabet, afirmando que Washington iniciaria uma ⁠investigação sobre o “roubo” que ⁠o ​bloco estaria cometendo contra empresas norte-americanas.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu; edição de Maria Carolina Marcello e Alexandre Caverni)

Reuters

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