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OCDE diz que guerra prolongada pode prejudicar crescimento global e aumentar inflação

OCDE diz que guerra prolongada pode prejudicar crescimento global e aumentar inflação

Reuters

03/06/2026

Placeholder - loading - Sede da OCDE em Paris  15 de março de 2026. REUTERS/Abdul Saboor/Foto de arquivo
Sede da OCDE em Paris 15 de março de 2026. REUTERS/Abdul Saboor/Foto de arquivo

Por Leigh Thomas

PARIS, 3 Jun (Reuters) - As perspectivas econômicas globais dependem da ​duração da guerra no Oriente Médio, com recessão em alguns países e inflação acentuadamente mais alta sendo uma possibilidade real se ela se arrastar até o próximo ano, alertou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico nesta quarta-feira.

Se o conflito for de curta duração, a produção de petróleo e gás do Golfo Pérsico poderá retornar gradualmente aos níveis pré-crise a partir do terceiro trimestre, com a escassez confinada à Ásia e amortecida por reservas estratégicas e remessas de outros produtores.

Nesse cenário base, o crescimento global deve desacelerar de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026, antes de aumentar para 3,1% em 2027, em linha com as previsões de março da OCDE.

'Quanto mais tempo durar a interrupção, maior será o custo econômico, mas também o custo social dessa crise, e isso certamente tornará as mudanças nas ⁠políticas muito mais difíceis', ⁠disse o economista-chefe da OCDE, Stefano Scarpetta, em ​uma coletiva de ‌imprensa.

Se a interrupção do fornecimento de energia persistir até o próximo ano, o crescimento global poderá desacelerar para 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027 - taxas raramente vistas fora de grandes crises, como a crise financeira de 2008 a 2009 ou a pandemia da Covid.

Algumas economias podem entrar em recessão total, sendo que os países asiáticos que dependem do fornecimento de ⁠energia do Oriente Médio devem ser os mais afetados.

No cenário de interrupção prolongada, os preços mais altos ​da energia podem acrescentar 0,4 ponto percentual à inflação global em 2026 e 1,3 ponto percentual em 2027, provavelmente levando ​os bancos centrais a aumentar as taxas de juros em 0,5 a ‌0,75 ponto percentual no curto prazo.

No ​cenário base, ⁠a OCDE previu que a inflação nas economias do G20 atingirá um pico de 4% este ano, antes de desacelerar para 3,1% no ano que vem, com as taxas de juros em grande parte inalteradas este ano e cortes previstos para o ano que vem.

'Cerca de ​um terço das economias da OCDE deverá registrar crescimento negativo dos salários reais este ano. Os trabalhadores desses países verão seus padrões de vida caírem, o que é a realidade humana por trás dos números da inflação', disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.

O crescimento do comércio global deve moderar após um 2025 forte, embora a demanda robusta por bens e investimentos relacionados à IA, especialmente na ​Ásia, deva fornecer algum suporte.

PERSPECTIVAS DESIGUAIS

No cenário base, as exportações de energia mais fortes devem apoiar o crescimento dos EUA, compensando parcialmente o peso dos preços mais altos sobre o poder de compra das famílias. A projeção é de que o crescimento diminua de 2,1% em 2025 para 2,0% em 2026 e 1,8% em 2027.

Na Europa, o crescimento da zona do euro deve desacelerar de 1,4% para 0,8% este ano, antes de aumentar para 1,2% no próximo, uma vez que os mercados de trabalho resilientes e os maiores gastos com defesa ajudam a compensar o aperto de cinto do governo.

Na Ásia, a China deve desacelerar de um crescimento de 5,0% em 2025 ​para 4,5% em 2026 e 4,3% em 2027, com amplas reservas de energia limitando a exposição a picos nos preços do petróleo. As exportações ‌devem se beneficiar das tarifas mais baixas dos EUA ⁠e de um setor tecnológico competitivo, embora a queda no mercado imobiliário continue sendo um empecilho.

Para o Brasil, a OCDE estimou crescimento de 1,6% este ano e de 2,1% em 2027, sendo as exportações o principal motor em 2026, sustentadas por um forte ⁠setor de commodities e pela demanda robusta da China.

Para a inflação, a projeção é ⁠de que ela desacelerar gradualmente, apesar da evolução do conflito no ⁠Oriente Médio, atingindo 4,4% em ⁠2026 ​e 3,6% em 2027. Novos aumentos nos preços de energia e fertilizantes podem prejudicar o crescimento e pressionar a inflação, disse a OCDE.

Reuters

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