OITO TENDÊNCIAS QUE PODEM MUDAR A MANEIRA DE ESCOLHER E PREPARAR ALIMENTOS EM 2027
Relatório da Whole Foods Market aponta mudanças que vão da valorização da origem dos ingredientes ao reaproveitamento de alimentos e à reinvenção de receitas tradicionais
Bruna Valle
22/10/2026
O que vai aparecer nas prateleiras dos supermercados e nos cardápios nos próximos meses? Uma previsão divulgada pela rede americana Whole Foods Market reúne oito tendências que podem ganhar espaço em 2027. A seleção combina mudanças nos hábitos de consumo, novas formas de apresentar alimentos conhecidos e uma atenção maior à composição e à procedência dos produtos.
O levantamento foi elaborado pelo conselho de tendências da empresa, formado por profissionais que acompanham o mercado de alimentos, incluindo compradores e especialistas em diferentes categorias. As previsões refletem principalmente o cenário dos Estados Unidos, mas ajudam a observar movimentos que podem influenciar a indústria alimentícia e o varejo em outros mercados.
Alimentos que também entram na rotina de beleza
Uma das apostas é a aproximação entre alimentação, bem-estar e cuidados com a pele. A tendência, chamada pela empresa de beautrition, reúne produtos que associam nutrientes a benefícios relacionados à aparência e à saúde cutânea.
A categoria inclui itens com colágeno, antioxidantes e outros ingredientes usados em produtos funcionais, como bebidas, gomas e preparações para o café da manhã. A proposta é aproximar os universos da alimentação e da beleza, com opções que prometem ir além da nutrição básica.
É importante, porém, distinguir a tendência de consumo de uma comprovação de eficácia: os benefícios dependem dos ingredientes e das evidências disponíveis para cada produto.
A origem passa a fazer parte da experiência
Outra aposta é a valorização da procedência. Mais do que saber de qual país vem um alimento, consumidores podem demonstrar interesse crescente por informações sobre a região, a fazenda ou as condições em que ele foi produzido.
Esse movimento aparece em produtos como cafés de origem única, azeites ligados a regiões específicas, queijos tradicionais e chocolates com identificação de procedência. A origem deixa de ser apenas uma informação na embalagem e passa a fazer parte da história contada ao consumidor.
A culinária japonesa ganha novas interpretações
A gastronomia japonesa também aparece entre os destaques, especialmente o yōshoku, tradição que adapta pratos ocidentais ao paladar japonês.
Entre os exemplos estão o arroz com curry japonês, o omurice (omelete recheado ou servido sobre arroz) e o tonkatsu, preparado com carne empanada. São receitas reconfortantes que combinam referências de diferentes culturas e vêm ganhando espaço em restaurantes e conteúdos de gastronomia.
A previsão é que essa influência avance também para os supermercados, com pães, molhos, misturas para receitas e refeições prontas inspiradas nessa culinária.

Sabores japoneses e receitas reinventadas estão entre as apostas para a alimentação em 2027
Menos ingredientes, mais atenção aos rótulos
A busca por listas de ingredientes mais curtas é outra tendência apontada pelo relatório. Em meio às discussões sobre alimentos ultraprocessados e aditivos, parte dos consumidores tem observado com mais atenção o que aparece nas embalagens.
A indústria pode responder com fórmulas mais simples e produtos que destacam a composição de maneira transparente. Ainda assim, uma lista curta, por si só, não garante que um alimento seja mais saudável: é preciso considerar o conjunto de ingredientes e seu valor nutricional.
Pratos conhecidos aparecem em formatos inesperados
Em vez de criar sabores totalmente novos, outra aposta é transformar receitas familiares em preparações diferentes. A tendência já aparece em combinações como hambúrguer servido em formato de taco, massas inspiradas em outros pratos e sobremesas que incorporam sabores populares.
A expectativa é que essa criatividade chegue cada vez mais aos produtos prontos e congelados, com refeições que misturam referências de cozinhas distintas. Para restaurantes e fabricantes, a ideia é oferecer novidade sem abrir mão de sabores que o público já conhece.
O amargo conquista mais espaço
O relatório também prevê maior presença de sabores amargos. Folhas verdes, chocolate amargo e bebidas com ingredientes botânicos podem ganhar destaque, acompanhando o interesse por bebidas sem álcool e por experiências de sabor menos doces.
Ervas, raízes e outros ingredientes aromáticos ajudam a criar combinações mais complexas, tanto em bebidas quanto em pratos. A tendência amplia o repertório de sabores para além das opções doces e salgadas mais tradicionais.
Sustentabilidade entra na cozinha e no supermercado
O reaproveitamento de alimentos aparece como outro ponto importante. A previsão é que empresas invistam mais em formas de reduzir o desperdício, reaproveitar subprodutos e ampliar opções de compra a granel ou em embalagens reutilizáveis.
A própria Whole Foods anunciou que pretende transformar sobras de frutas e vegetais de suas cozinhas em ração para galinhas, em parceria com uma empresa especializada em tecnologia para redução de resíduos. A iniciativa exemplifica como o combate ao desperdício pode ser incorporado às operações do setor.
Feijões deixam de ser apenas acompanhamento
Feijão, grão-de-bico, lentilha, edamame e outras leguminosas também devem ganhar protagonismo. Ricos em fibras e fontes de proteína vegetal, esses alimentos aparecem em saladas completas, pastas, petiscos, massas e refeições prontas.
A tendência acompanha a busca por ingredientes versáteis e acessíveis, que possam ocupar o centro do prato em vez de aparecer apenas como acompanhamento. Nas prateleiras, isso pode significar novas opções de lanches e refeições práticas à base de leguminosas.
O que essas apostas revelam sobre o futuro da alimentação
As oito tendências apontam para um mercado que tenta equilibrar conveniência, curiosidade e atenção à composição dos alimentos. Ao mesmo tempo em que receitas tradicionais ganham formatos inesperados, cresce o interesse por procedência, reaproveitamento e ingredientes que atendam a diferentes necessidades do consumidor.
As previsões da Whole Foods Market não garantem que todas essas mudanças chegarão com a mesma força ao Brasil. Ainda assim, oferecem pistas sobre caminhos que a indústria e o varejo podem explorar em 2027: de novos produtos nas prateleiras a experiências gastronômicas que misturam referências culturais e hábitos de consumo.


