ONU ALERTA PARA EL NIÑO “MUITO FORTE” E RISCO DE NOVOS EXTREMOS CLIMÁTICOS
FENÔMENO TEM QUASE 100% DE CHANCE DE PERSISTIR ATÉ FEVEREIRO DE 2027 E PODE ELEVAR RISCOS DE CALOR EXTREMO, SECAS E ENCHENTES
João Carlos
04/09/2026
O El Niño já está firmemente estabelecido e deve se intensificar nos próximos meses, tornando-se um evento muito forte. O alerta é da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU para clima e meteorologia, que acaba de divulgar uma de suas previsões mais contundentes sobre o fenômeno: a probabilidade de ele persistir até fevereiro de 2027 é de quase 100%.
E há mais um sinal que chama a atenção dos cientistas. As águas do Pacífico tropical que alimentam o fenômeno estão excepcionalmente quentes. Em algumas áreas, a temperatura abaixo da superfície do oceano chegou a ficar mais de 8°C acima da média entre julho e o início de agosto. Esse enorme reservatório de água quente favorece uma intensificação ainda maior do El Niño.
Um El Niño que pode sair dos gráficos
Segundo a OMM, o fenômeno deverá continuar ganhando força até atingir intensidade muito forte, com pico previsto para o final de 2026 e efeitos que poderão avançar por 2027.
A secretária-geral da organização, Celeste Saulo, foi ainda mais longe ao apresentar o relatório. Caso a trajetória atual continue, o fenômeno poderá ser mais forte do que qualquer outro observado desde o início do monitoramento utilizado pela organização, chegando literalmente a ultrapassar a escala dos gráficos empregados nas últimas quatro décadas.
Um El Niño dessa magnitude pode alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta, aumentando o risco de enchentes, secas e episódios de calor extremo. A própria OMM ressalta, porém, que um El Niño muito forte não produz os mesmos efeitos em todos os lugares. As consequências variam conforme a região, a época do ano e a interação com outros sistemas climáticos.
Mais calor pela frente
Para o período entre setembro e novembro, as projeções da OMM indicam maior probabilidade de temperaturas acima do normal em praticamente todas as áreas continentais do planeta. O Atlântico tropical também deverá permanecer mais quente que a média.
O fenômeno em si é natural e não é provocado pelas mudanças climáticas. Mas ele acontece agora sobre um planeta que já está mais quente. A OMM lembra que o forte El Niño de 2023 e 2024 contribuiu para que 2024 se tornasse o ano mais quente já registrado e afirma que um novo recorde de temperatura global não deve ser descartado.
Diante do cenário, a organização iniciou uma mobilização internacional com serviços meteorológicos e hidrológicos para ampliar previsões, alertas e medidas de preparação.
O El Niño costuma aparecer a cada dois a sete anos e geralmente dura entre nove e 12 meses. Desta vez, porém, os sinais são tão fortes que a OMM diz nunca ter apresentado, em seus 50 anos de história, uma mobilização dessa dimensão diante do fenômeno.
A mensagem da organização é séria, mas também aponta para aquilo que pode ser feito: quanto mais cedo governos e comunidades souberem onde estão os maiores riscos, maior será a possibilidade de se preparar para eles. Com um El Niño que promete atravessar o fim de 2026 e deixar efeitos em 2027, acompanhar a previsão do tempo pode ganhar uma importância bem maior do que simplesmente decidir se é dia de levar o guarda-chuva.


