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Opção por etanol nos carros flex patina e impacta mercado de açúcar, diz Datagro

Opção por etanol nos carros flex patina e impacta mercado de açúcar, diz Datagro

Reuters

27/08/2026

Placeholder - loading - Bomba de gasolina em um posto de combustíveis em Brasília, Brasil, em 7 de março de 2022. REUTERS/Adriano Machado
Bomba de gasolina em um posto de combustíveis em Brasília, Brasil, em 7 de março de 2022. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  27/08/2026

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 27 Ago (Reuters) - O etanol hidratado tem ​sido utilizado neste ano por apenas 29% da frota de carros flex, que tem também a opção de usar a gasolina, apesar de uma vantagem econômica do biocombustível frente ao derivado de petróleo na maior parte do Brasil, avaliou a consultoria Datagro nesta quinta-feira.

O nível atual, registrado desde 2024, está acima dos cerca de 22% vistos em 2023, mas distante dos 36,7% verificados em 2019, quando houve menor vantagem do que agora para o motorista usar mais etanol do que gasolina nos veículos, disse à Reuters o presidente da Datagro, Plinio Nastari.

Segundo ele, o etanol teve neste ano vantagem de preço relativo frente à gasolina em 67% do território nacional, mas praticamente não alterou a sua fatia no mercado.

O especialista considerou que ⁠isso se deve ⁠a desinformações sobre o etanol, e que o ​setor precisa melhorar ‌a comunicação sobre os benefícios do combustível renovável, apontando que avanços tecnológicos eliminaram antigas preocupações relacionadas ao uso do produto.

Segundo o consultor, se a proporção da frota flex que usa o etanol hidratado retornasse aos patamares de 2019, o consumo do combustível seria 8 bilhões de litros maior do que se vê atualmente. Algo 'importante', ⁠disse Nastari, considerando que na safra 2026/27 (abril/março) o Brasil espera um aumento de produção de cerca ​de 4,5 bilhões de litros -- a estatal Conab projeta um total recorde de quase 42 bilhões de litros.

'Mesmo ​com o incentivo de preço que a gente está tendo agora, que ‌é maior do que em ​2019, a ⁠proporção ainda está muito baixa. Isso obviamente tem impactos globais para o setor de açúcar e álcool', afirmou o presidente da Datagro, discorrendo sobre alguns dos aspectos que abordará em palestra nesta quinta-feira ao conselho de agronegócio da Associação Comercial de São ​Paulo.

Pela interconexão entre o açúcar e o etanol no Brasil, qualquer mudança no 'mix' produtivo no maior exportador global do adoçante é acompanhada no mercado internacional.

Em 2026/27, a produção brasileira de etanol vai crescer na esteira da expansão da indústria do biocombustível feito a partir de grãos, notadamente milho, além da maior destinação de cana-de-açúcar para a produção do combustível, em ​detrimento do açúcar, e por uma safra maior.

SUBSÍDIOS MASCARAM

O consultor disse ainda que os subsídios concedidos pelo governo brasileiro para manter sob controle os preços da gasolina, em uma estratégia para evitar impactos da alta do petróleo por conta da guerra no Irã, também 'mascaram' as vantagens do etanol.

Ele lembrou que, neste contexto, o Brasil já importou 2,5 bilhões de litros de gasolina neste ano, versus cerca de 3,5 bilhões de litros em 2025 completo, com a opção por etanol dos motoristas de carros flex ainda patinando.

'Aí o etanol está sendo vendido a um preço que, mesmo com essas distorções, dá ​uma vantagem enorme para o consumidor', afirmou, citando também o fato de a Petrobras manter seu preço abaixo da paridade de importação ‌da gasolina de R$4,50/litro.

Mais recentemente, contudo, o mercado ⁠de açúcar reagiu com preocupações com o efeito do El Niño e com um anúncio de importação pela Índia sem tarifa.

Preços mais altos do adoçante sinalizam um 'mix' um pouco menos alcooleiro do que o esperado inicialmente no centro-sul brasileiro.

Nesse ⁠movimento, o preço do etanol subiu também cerca de R$0,20 desde o início ⁠de agosto, após registrar um piso de valor pago ⁠aos produtores de cerca de ⁠R$2 ​por litro, disse Nastari, citando impactos semelhantes nos valores nas bombas dos postos de combustíveis.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)

Reuters

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