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Ortega quer estender mandato presidencial na Nicarágua de seis para sete anos “renováveis”

Ortega quer estender mandato presidencial na Nicarágua de seis para sete anos “renováveis”

Reuters

29/07/2026

Placeholder - loading - Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega 14 de dezembro de 2024 REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria
Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega 14 de dezembro de 2024 REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

CIDADE DO MÉXICO, 29 de julho (Reuters) - ​O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, pretende estender o mandato presidencial de seis para sete anos “renováveis”, de acordo com um projeto de reforma constitucional encaminhado ao Congresso, e excluir das eleições os opositores “traidores da pátria” e “golpistas”.

O presidente do Congresso, Gustavo Porras, antecipou na terça-feira — segundo vários veículos de comunicação — o conteúdo da reforma, embora não tenha dado muitos detalhes. A proposta seria aprovada em setembro e vem na esteira de declarações recentes do presidente de que ⁠não ⁠haveria eleições no país centro-americano ​para evitar ‌que os opositores “tomem o governo” novamente, reforçando ainda mais seus planos de consolidar o poder que divide com sua esposa, um ano antes do término do atual mandato.

“Nosso sistema de Estado e governo ⁠do povo presidente propõe-se a ser organizado com um mandato ​efetivo de sete anos, renovável”, disse Porras ao ler a proposta. Ele ​acrescentou que a extensão “garante estabilidade na visão, ‌na operacionalidade e ​na continuidade, ⁠enfrentando com toda a energia e clareza as urgências”.

Em 2024, foi aprovada uma reforma que estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos e elevou ​Rosario Murillo, esposa de Ortega e então vice-presidente do país, ao cargo de copresidente, em uma medida criticada pelos opositores como um plano para perpetuar a família presidencial no poder. Além disso, adiou para o final ​de 2027 as eleições que deveriam ocorrer este ano.

O presidente, um ex-rebelde marxista, assumiu em janeiro de 2022 seu quarto mandato consecutivo, após vencer as eleições de novembro do ano anterior, em meio a críticas crescentes e sanções de grande parte da comunidade internacional, com os Estados Unidos e a União Europeia à frente. Ele ajudou a derrubar a ditadura de direita ​da família Somoza no final da década de 1970 e é o líder ‌que há mais tempo ocupa o ⁠cargo na América, desde 2007, quando voltou ao poder após um período na década de 1980.

Enquanto isso, a Nicarágua atravessa uma grave crise ⁠política desde abril de 2018, quando o presidente ⁠respondeu aos protestos antigovernamentais com uma ⁠repressão na qual ⁠morreram ​mais de 300 pessoas, segundo organizações de direitos humanos.

(Reportagem de Ana Isabel Martínez)

Reuters

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