PESQUISA TESTA MEDICAMENTO NASAL QUE PODE ABRIR CAMINHO PARA TRATAR FORMA PROGRESSIVA DA ESCLEROSE MÚLTIPLA
Foralumab reduziu um indicador de inflamação cerebral em estudo de fase 2a
Bruna Valle
04/11/2026
Uma pesquisa com um medicamento experimental trouxe resultados promissores para o tratamento de uma forma de esclerose múltipla que ainda não conta com terapias especificamente aprovadas nos Estados Unidos. Desenvolvido pela farmacêutica Tiziana Life Sciences, o foralumab é administrado por meio de um spray nasal e apresentou redução de um indicador de inflamação no cérebro, além de um perfil de segurança considerado favorável pelos pesquisadores.
Os dados foram divulgados pela empresa, após a conclusão de um estudo clínico de fase 2a. A pesquisa avaliou o medicamento em pessoas com esclerose múltipla secundária progressiva não ativa, condição em que as limitações neurológicas podem continuar avançando mesmo sem episódios evidentes de surtos da doença.
O que os pesquisadores observaram
O estudo INFORM-MS reuniu 48 participantes em oito centros de pesquisa nos Estados Unidos. Eles foram distribuídos entre três grupos: um recebeu placebo, enquanto os outros utilizaram doses de 50 ou 100 microgramas do medicamento por via nasal.
O acompanhamento durou 12 semanas. Um dos principais objetivos era avaliar a atividade das células da micróglia, estruturas do sistema nervoso que participam da resposta imunológica e podem estar envolvidas em processos inflamatórios no cérebro.
Na comparação com o grupo que recebeu placebo, a dose de 50 microgramas apresentou uma redução estatisticamente significativa desse indicador de inflamação cerebral. O mesmo resultado não foi demonstrado de maneira significativa entre os participantes que receberam a dose mais elevada.
Outro objetivo importante era verificar a segurança do tratamento. De acordo com os dados divulgados, as duas dosagens foram bem toleradas durante o período analisado. Todos os participantes concluíram essa etapa do estudo, sem registro de mortes ou interrupções do tratamento por efeitos adversos relacionados ao medicamento.
Cansaço também foi avaliado
Além da inflamação, os pesquisadores acompanharam possíveis mudanças na fadiga, um sintoma que pode comprometer bastante a rotina de quem convive com a esclerose múltipla.
Após 12 semanas, os participantes que receberam o foralumab apresentaram melhora nas pontuações de uma escala utilizada para medir o impacto do cansaço. A redução média foi de 6,17 pontos no grupo de 50 microgramas e de 7,18 pontos no grupo de 100 microgramas. No grupo placebo, a variação foi menor.
Os próprios pesquisadores, porém, destacam que o estudo não foi dimensionado para comprovar mudanças clínicas definitivas em sintomas como a fadiga. Além disso, não foram observadas alterações significativas na escala utilizada para avaliar o grau de incapacidade neurológica durante os três meses de acompanhamento.
Uma forma da doença com poucas opções específicas
A esclerose múltipla é uma doença crônica que afeta o sistema nervoso central e envolve uma resposta inadequada do sistema imunológico. Ela pode provocar diferentes manifestações, como alterações na visão, dificuldades de equilíbrio, problemas de coordenação, fraqueza e fadiga.
Na forma secundária progressiva não ativa, a incapacidade pode aumentar gradualmente, mesmo sem novos surtos ou sinais de atividade inflamatória identificados pelos exames. Essa característica torna o desenvolvimento de alternativas terapêuticas especialmente importante.
O foralumab busca atuar sobre mecanismos do sistema imunológico e está sendo investigado como uma possível abordagem para reduzir a inflamação associada à doença.
Apesar dos resultados positivos, o medicamento continua em fase de investigação. Um estudo de fase 2a é uma etapa intermediária do desenvolvimento clínico, utilizada para reunir informações sobre segurança e identificar sinais de possível eficácia.


