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    Petrobras faz 1ª redução do ano no preço da gasolina

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    Carro sendo abastecido com gasolina em um posto de combustíveis no Rio de Janeiro REUTERS/Pilar Olivares/File Photo

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    Por Marta Nogueira

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras reduzirá em cerca de 5% o preço médio da gasolina nas refinarias a partir de sábado, no primeiro recuo do combustível fóssil da petroleira deste ano, informou a estatal nesta sexta-feira, após um recuo dos preços do barril do petróleo nesta semana.

    O ajuste representa uma queda de 0,14 real por litro no valor médio da gasolina nas refinarias, para 2,69 reais por litro.

    O diesel, por sua vez, foi mantido estável nos pontos de venda da empresa, responsável por quase 100% da capacidade de produção de combustíveis do Brasil.

    O movimento veio após o petróleo tipo Brent ter fechado com queda de 7% na véspera. Desde 8 de março, o valor de referência já caiu mais de 11%, diante de temores cada vez maiores com o aumento no número de casos de Covid-19 na Europa.

    Cristiano Costa, CEO da empresa norte-americana de Trading e Consultoria de Commodities J.Global Energy, afirmou que o ajuste fará com que o preço da gasolina da estatal fique abaixo da paridade de importação.

    'Os preços da gasolina e do diesel vêm ambos completamente díspares e fora da paridade de importação há quase um ano. A Petrobras vem tentando perseguir o mercado internacional e não consegue', disse Costa.

    O especialista pontuou que o recuo do preço do petróleo no mercado internacional foi um 'soluço', principalmente devido a novos 'lockdowns' na Europa e a interrupções momentâneas no uso de vacina da AstraZeneca em alguns países europeus.

    'O diesel entrou em paridade, graças a esse ajuste internacional (dos preços do petróleo e derivados). E a gasolina, quando entra em paridade, a Petrobras abaixa, mostrando que foi um movimento político', afirmou o especialista, destacando que o país acaba de elevar a taxa básica de juros, devido a um avanço da inflação.

    Para Guilherme Sousa, economista da Ativa Investimentos, o reajuste era aguardado e está exatamente de acordo com o que apresentou o modelo de acompanhamento da defasagem no preço da gasolina da corretora.

    'Hoje, a defasagem no preço da gasolina internacional em relação a gasolina doméstica se inverteu e, pela primeira vez em meses, o combustível brasileiro estava mais caro que no mercado internacional até 5%', disse Sousa, em nota.

    Para o presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, no entanto, o ajuste feito pela petroleira permitirá que os preços da gasolina fiquem 'na faixa da paridade'.

    Ao longo dos últimos meses, a Abicom vem afirmando que suas associadas pararam de importar combustíveis, uma vez que não conseguiam competir com os preços praticados pela Petrobras.

    Nesta sexta-feira, Araújo disse que o anúncio de manutenção do valor do diesel foi 'coerente', já que 'a volatilidade está muito elevada'.

    O repasse do reajuste da gasolina nas refinarias aos consumidores finais nos postos não é garantido, e depende ainda de uma série de questões, como margem da distribuição e revenda, impostos e adição obrigatória de etanol anidro.

    IMPACTOS NA INFLAÇÃO

    Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, o valor não deve chegar na bomba.

    'Ainda existe um passivo do volume de elevações que não chegou no consumidor. Isso significa que, apesar da queda de hoje relativamente expressiva, a alta que deve chegar às bombas é maior do que a baixa de hoje', afirmou.

    Apesar do corte do preço anunciado pela Petrobras, a gasolina da companhia apresenta avanço de 46% neste ano.

    'Esse reajuste para baixo de hoje vai apenas reduzir o montante altista no valor na bomba'.

    No entanto, ele pontuou que o movimento foi 'positivo' do ponto de vista de controle da inflação.

    'Em termos absolutos, se a gente considerar que essa diminuição chegaria nos preços, falamos em uma redução do IPCA de abril de 8 pontos base. Então é relevante, mas deve mitigar o avanço sem entrar em deflação, propriamente dita', completou Sanchez, que projeta um IPCA de 4,8% até o fim de 2021.

    Escrito por Reuters

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