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Petrobras não costuma repassar volatilidades repentinas ao mercado interno, diz CEO

Petrobras não costuma repassar volatilidades repentinas ao mercado interno, diz CEO

Reuters

02/03/2026

Placeholder - loading - Refinaria da Petrobras em Canoas (RS). REUTERS/Diego Vara
Refinaria da Petrobras em Canoas (RS). REUTERS/Diego Vara

Atualizada em  02/03/2026

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 2 Mar (Reuters) - A Petrobras não costuma ​repassar volatilidades repentinas ao mercado interno, disse à Reuters a CEO da estatal, Magda Chambriard, comentando sobre o conflito dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

'A Petrobras historicamente não repassa volatilidades repentinas', disse Chambriard, ressaltando que a empresa vem acompanhando os desdobramentos do conflito.

Mais cedo, quatro pessoas na estatal com conhecimento das avaliações sobre a situação disseram à Reuters que a companhia monitora de perto os desdobramentos do conflito e prevê uma semana de observação no mercado de petróleo, que disparou nesta segunda-feira, antes de uma eventual decisão sobre preços de combustíveis.

Os futuros do petróleo Brent subiram até 13%, para US$82,37 por barril, o maior valor desde janeiro de 2025, antes de fecharem com alta de 6,7%, a US$77,74, ajudando a impulsionar as ações da Petrobras, que também é exportadora da commodity.

A companhia é pressionada a reajustar seu combustível no mercado interno ⁠em momentos como esse, ⁠embora evite por política repassar a volatilidade dos contratos ​futuros.

O preço do ‌petróleo subiu depois que ataques retaliatórios do Irã interromperam o transporte marítimo no crucial Estreito de Ormuz, após o bombardeio do fim de semana por Israel e pelos Estados Unidos que matou o líder supremo iraniano Ali Khamenei, entre outras lideranças do país.

'Será uma semana de observação que pode levar a uma tomada de decisão na semana que vem (sobre preços de combustíveis), mas ainda ⁠há indefinições no ar', afirmou uma fonte em condição de sigilo.

'É preciso ter calma, estamos atentos, mas trabalhamos ​sem desespero em momentos de pico', adicionou uma segunda fonte.

Segundo essas pessoas, é preciso ficar atento também ao comportamento do câmbio, ​que faz parte da equação de preços de combustíveis da Petrobras. O dólar ‌à vista no Brasil encerrou a ​sessão com ⁠alta de 0,60%, aos R$5,1651.

Um prolongamento da guerra poderia, segundo uma das fontes, gerar uma fuga de investidores dos EUA, e o Brasil poderia ser um dos destinos desses recursos.

'Se o povo americano não aprovar, houver preocupação com os gastos com a guerra, esse dólar pode baixar aqui e ​o câmbio compensar a alta do Brent', afirmou uma das fontes.

A Petrobras também está de olho nos impactos da guerra em instalações de produção de petróleo e combustíveis, além de gargalos logísticos gerados pelo conflito.

Os movimentos do grupo de países produtores e exportadores Opep+ também estão sendo monitorados, já que uma alta da produção poderia amortecer o aumento do Brent com a ampliação da oferta no curto prazo. A Opep+ definiu ​no domingo um aumento modesto na produção de petróleo de 206 mil barris por dia.

PREOCUPAÇÃO COM ESTREITO DE ORMUZ

Uma terceira preocupação tem a ver com o possível fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo do mundo. O estreito jamais foi plenamente fechado, mas no fim de semana houve relatos que embarcações pararam de circular e até foram alvos de ataques.

Paralisar Ormuz traria um impacto relevante para o fluxo de petróleo global e poderia causar um rearranjo no transporte de commodities, que poderia beneficiar a Petrobras, por um lado, mas obrigá-la a comprar petróleo e derivados de outras regiões, eventualmente a custos mais altos.

Além de exportadora, a Petrobras também importa volumes diários ​de petróleo para misturar com sua própria produção, outro ponto de atenção.

Mas na avaliação do diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, ‌a companhia tem alternativas e flexibilidade para operar a custos ⁠competitivos, apesar dos impactos do conflito no Oriente Médio.

'A Petrobras possui rotas alternativas à região do conflito, o que dá segurança e custos competitivos para as nossas operações, preservando nossas margens', disse Schlosser, à Reuters.

Ele preferiu não fazer comentários sobre como ficarão os preços de ⁠combustíveis da Petrobras.

O diretor disse que os fluxos de importação são majoritariamente fora da região ⁠de crise, 'e mesmo as poucas que existem podem ser redirecionadas'.

A intensidade, ⁠extensão e tempo do conflito ⁠são ​os parâmetros que vão definir os impactos no negócio, acrescentou ele.

'Não há risco de interrupção das importações e exportações no momento', resumiu.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

Reuters

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