Petrobras planeja elevar preço da gasolina, mas avalia concorrência com etanol, diz CEO
Petrobras planeja elevar preço da gasolina, mas avalia concorrência com etanol, diz CEO
Reuters
12/05/2026
Atualizada em 12/05/2026
Por Marta Nogueira e Fabio Teixeira
RIO DE JANEIRO, 12 Mai (Reuters) - A Petrobras avalia realizar um aumento do preço da gasolina vendida a distribuidoras 'já, já', mas busca ter certeza de que irá defender participação de mercado, considerando a concorrência do seu produto com o etanol, disse a presidente da petroleira, Magda Chambriard, nesta terça-feira.
A executiva também afirmou que a empresa planeja incluir em seu próximo plano de negócios projetos para que o Brasil alcance a autossuficiência em diesel e gasolina.
'Nós estamos agora tratando desse aumento (de preço) da gasolina, mas sempre de olho no nosso 'market share' e na evolução do mercado do etanol', disse a executiva, em videoconferência com analistas de mercado sobre os resultados do primeiro trimestre.
'Nós estamos tratando disso, vai acontecer já já um aumento de preço da gasolina, mas nós temos que ter certeza que esse mercado almejado continua nosso.'
Ela ressaltou que nos últimos 15 dias o preço do etanol caiu nas bombas, com o crescimento da produção e o início da safra de cana.
AUTOSSUFICIÊNCIA
O plano de negócios quinquenal da Petrobras atual, para o período de 2026 a 2030, prevê atualmente projetos para chegar ao atendimento de 85% da demanda brasileira de diesel até 2030, disse Chambriard. Segundo a executiva, os projetos atuais estão bem delineados e podem ser expandidos para alcançar 100%.
A busca pela autossuficiência em diesel e gasolina vem em um momento em que houve uma disparada de preços do petróleo e seus derivados no mercado externo, com o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, enquanto o governo brasileiro vem lançando mão de diversas medidas para suavizar os impactos na inflação do país.
Chambriard disse ainda que o governo tem reconhecido o papel da petroleira de entregar ao mercado brasileiro produtos a preços acessíveis.
'Essa parceria da Petrobras com o governo brasileiro tem sido, eu posso afirmar aos senhores, proveitosa para a Petrobras e proveitosa para a sociedade brasileira', afirmou.
A Petrobras zerou suas importações de diesel em abril e maio e vem elevando o fator de recuperação de suas refinarias para o maior patamar em diversos anos. Chambriard ressaltou que a companhia vem também conseguindo elevar a qualidade da produção das unidades, chegando próximo de 70% de rendimento de diesel, gasolina e querosene de aviação (QAV), que são combustíveis mais rentáveis.
A diretora-executiva de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano, explicou que a decisão de não importar é 'absolutamente técnica' e leva em conta aspectos econômicos e operacionais.
'Na rodada do nosso modelo para os meses de abril e maio, não se identificou a necessidade de uma importação. Provavelmente em junho, quando vai começar a vir a época da safra e o aumento dos volumes de demanda que são crescentes, provavelmente teremos que importar', afirmou Laureano, acrescentando que a empresa não está deixando de atender compromissos assumidos.
Laureano disse ainda não ver risco de desabastecimento no mercado e adicionou que, se for preciso importar, isso será feito.
(Reportagem de Marta Nogueira e Fabio TexeiraEdição de Roberto Samora)
Reuters

