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Deputada alvo de operação sobre desvios no INSS usará tornozeleira após Mendonça negar pedido de prisão

Deputada alvo de operação sobre desvios no INSS usará tornozeleira após Mendonça negar pedido de prisão

Reuters

17/03/2026

Placeholder - loading - Viatura da Polícia Federal 28/07/2015 REUTERS/Sergio Moraes
Viatura da Polícia Federal 28/07/2015 REUTERS/Sergio Moraes

Atualizada em  17/03/2026

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 17 Mar (Reuters) - A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) ​terá de usar tornozeleira eletrônica por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) pela prisão preventiva da parlamentar em operação sobre esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões, mostrou decisão do magistrado nesta terça-feira.

Na decisão de 36 páginas, Mendonça disse que há 'provas' de que Gorete Pereira comprou um apartamento de mais de R$4 milhões em nome de empresas de fachada assim como um veículo de luxo em valor superior a R$400 mil 'com o emprego dos recursos indevidamente subtraídos de aposentados e pensionistas do INSS'.

Contudo, o ministro do STF disse que 'neste momento' a prisão preventiva pode ser substituída por medidas menos ⁠graves, sem prejuízo ⁠de reavaliação futura. Ele ponderou que a ​condição de parlamentar ‌da investigada impõe a 'aplicação do crivo mais elevado de análise exigido pelas disposições constitucionais correlatas ao denominado estatuto dos congressistas'.

'Entendo ser o caso de adotar medidas judiciais constritivas diversas da prisão que sejam adequadas e proporcionais para que a parlamentar investigada não oculte bens, não promova dilapidação patrimonial, não obstrua ou ⁠atrapalhe as investigações e, principalmente, não continue na prática dos gravíssimos ilícitos apurados pela ​Polícia Federal', afirmou o magistrado.

Mendonça determinou a realização de uma busca e apreensão em endereços ligados à deputada, ​além da colocação de tornozeleira e imposição de outras medidas ‌cautelares, segundo a decisão do ​STF.

Procurada, a ⁠assessoria da deputada não respondeu de imediato a pedido de comentário.

PROPINA

A decisão de Mendonça apontou que, durante as investigações, a deputada tinha atuação relevante no grupo que teria desviado recursos do INSS, fazendo a articulação política e operacional de ​associações, controlando entidade utilizada para expansão dos descontos indevidos e ainda mantendo interlocução com autoridades e servidores públicos.

'É possível identificar no acervo de documentos acostados nestes autos que Maria Gorete Pereira frequentemente contatava servidores do INSS, dentre eles Stefanutto, para, mediante pagamento de propina, viabilizar o credenciamento e ativação de entidades associativas de aposentados com as ​quais tinha relação', citou a decisão, em referência ao ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto.

Em novembro do ano passado, Stefanutto chegou a ser preso preventivamente pela PF em uma fase anterior das investigações sobre crimes em fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. Na operação desta terça, ele não está entre os alvos.

Procurada, a assessoria de Stefanutto não respondeu de imediato a pedido de comentário.

OPERAÇÃO

Em comunicado, a PF e a Controladoria-Geral da União informaram que policiais federais e auditores da CGU cumprem 19 mandados de busca e apreensão, dois de ​prisão e outras medidas cautelares diversas no Ceará e no Distrito Federal.

'Os mandados judiciais foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, ‌em procedimentos sob a relatoria do ministro André ⁠Mendonça. Eles têm como finalidade aprofundar as investigações da operação Sem Desconto, para esclarecer a prática de crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, de constituição de organização criminosa, de estelionato previdenciário e de ⁠atos de ocultação e de dilapidação patrimonial', disse a nota. As investigações sobre ⁠fraudes do INSS ainda devem ter vários desdobramentos, segundo ⁠uma fonte do STF, ⁠e ​devem atravessar o período eleitoral deste ano. O caso também é alvo de investigação em uma CPI mista no Congresso Nacional.

Reuters

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