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Polícia portuguesa apresenta queixa-crime contra autores de animação denunciando racismo sistêmico

Polícia portuguesa apresenta queixa-crime contra autores de animação denunciando racismo sistêmico

Reuters

10/07/2023

Placeholder - loading - Policial monta guarda em posto de controle para controlar a movimentação entre diferentes municípios durante a pandemia, em Lisboa 30/10/2020 REUTERS/Rafael Marchante
Policial monta guarda em posto de controle para controlar a movimentação entre diferentes municípios durante a pandemia, em Lisboa 30/10/2020 REUTERS/Rafael Marchante

LISBOA (Reuters) - A polícia portuguesa disse nesta segunda-feira que está tomando medidas legais contra os autores e a emissora de um desenho animado exibido na semana passada pelo canal público de televisão RTP que denunciava o suposto racismo sistêmico nas forças de segurança.

O desenho mostra um policial branco atirando em alvos que representam pessoas com diferentes tons de pele. Quanto mais escuro o alvo, mais tiros o oficial dispara e mais furioso ele parece.

Em comunicado, a Polícia de Segurança Pública (PSP) disse que a animação era ofensiva, espalhava 'fatos inverídicos' e punha em causa a credibilidade e o 'prestígio' da força policial.

A PSP enviou provas ao Ministério Público, ao regulador dos meios de comunicação ERC e à comissão profissional de jornalistas, CCPJ, no âmbito de uma queixa-crime contra os autores do desenho animado e a emissora RTP.

O estúdio Spam Cartoon disse que a sua criação nada teve a ver com a PSP, mas sim com o recente homicídio de Nahel M., um jovem de 17 anos de ascendência argelina e marroquina, morto a tiros por um agente da polícia francesa.

A empresa disse também que vem recebendo ameaças por causa da animação.

Organizações nacionais e internacionais já manifestaram preocupação com a violência policial em Portugal.

Em abril deste ano, o Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial disse estar preocupado com as informações que indicavam o 'uso excessivo e continuado da força por policiais' que era uma 'prática profundamente enraizada contra pessoas descendentes de africanos'.

O ministro do Interior, José Luís Carneiro, que supervisiona as forças de segurança, falou à RTP para 'manifestar desagrado' com a animação, mas o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, disse que os artistas devem ter liberdade editorial.

(Reportagem de Catarina Demony)

Reuters

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